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11/11/2018

A (nova) arte poética insular de Henrique Levy



Como uma incandescente luz surgida entre as brumas sobre o mar,
o poeta anuncia os dias por chegar...
H. Levy, Diário Íntimo

POETA



em mim só existo eu, não há lugar para outros de mim, essa impiedade atormenta os poetas que se extinguem depois de cada verso, enfrentando dias urgentes, repletos de silêncios...

ansioso por palavras, nascidas na sombra do instante, vacila o poeta em repetir orações no extenso olhar demorado pelo rosto da ilha...

de incoerência eterna, o poeta disfarça a poesia, animando-a da vida dos dias por viver, atordoa o futuro poisando nele um véu de tule lilás

e tudo parece adormecer...

acordam lentamente os tesouros de silêncios, estremece a inesperada vontade de partilha, encoberta pelo cintilar de sombras onde a luz vagueia...

pela boca respira o poeta o amargo ar atlântico em cujo inverno se deita, sucumbindo ao singular cansaço do vento a soprar forte por entre a solidão dos vulcões e a inconstância incompreendida do espaço...

o improvável homem, legítimo descendente do imaterial momento da palavra inaugural, reside neste convento onde as mãos não saram feridas, nem trazem vontade de chorar sobre as areias escuras chegadas do alvoraçado mar...

HENRIQUE LEVY


In : O Rapaz do Lilás. Ribeira Grande, Ilha de São Miguel, Açores: Confraria do Silêncio, 2018, pp. 23-24.


Para saber um pouco mais, clique aqui.


30/04/2017

A alquimia amorosa do verbo e do mar na poesia de Henrique Levy


AMOR NO MAR

o farol onde moras entre
nunca e sempre
dispersa

a ritmo largo a luz
renovada sobre o mar

chega vibrante o brando entardecer de mim em ti

venero o secreto mundo dos teus olhos
as tuas mãos abertas encontram
praias quentes
areias macias proclamam
amor no silêncio do vento

desliza o mar deitado
a teu lado

as ondas cobrem o teu corpo
por ele o riso cresce
despido na alegria das águas
tecendo no tempo a mais longa vaga
de silêncio nos destroços ancorada

a suave volúpia
dos corpos
agita a praia ventosa

levam búzios
trazem rosas

no nosso olhar
os abismos
cantam ao crepúsculo
os lábios húmidos
afogados nos beijos do mar…


Henrique Levy


in Noivos do Mar. Lisboa: Labirinto, 25 de abril de 2017.
Reprod. no perfil oficial do autor no Facebook, 28.04.2017.

02/05/2015

«Diamante», poema de Henrique Levy





DIAMANTE

de onde me vem a palavra
esta insanidade em meus dedos
a tontura o riso a louca
este debruçar d’alma sobre si
a espelhar uma doença uns medos
a endoidar ensandecido em sonhos

oníricos momentos que ao largo passam

no mar

lá longe onde meus braços não podem abraçar
rimo toco e beijo contigo a mesma terra
que embarca lastro rumo ao mundo

as asas as nossas mãos o divino céu...

louvo-te de joelhos sem saber da dor da vida...
o vazio nas mãos as linhas o destino...
juntos o mar os lagos os rios...
e cada gota cada nota cada dó...
é luto é alma é cinza...

o beijo dos teus lábios são os meus

perdidos em ondas de espuma
que esperam da tua boca estonteados
os beijos teus ainda

ó no meu peito floresce uma hora

que perco e ganho quando os cílios toco
estremece-me o corpo inacessível a outro
diamante vermelho triunfante

HENRIQUE LEVY


In Mãos navegadas. Odivelas : Europress, 1999.
Reprod. de poema e imagem a partir do perfil do autor no Facebook, 1.05.2015.

14/03/2015

MORRI PARA SER TEU, poema de Henrique Levy


procura na terra
desbravada imersa
na solidão da noite
o meu corpo transformado
na aurora luminosa
cada manhã
envolta em branco
noiva viúva
viverás nesse encanto
procura amor nas minhas mãos
o sabor onde a tua alma repousa

e a luz meu deus!

tão branca parece a manhã
clara dos teus olhos em êxtase
quando a minha boca
a tua percorria ardente

sou teu
morri para ser teu
tu ressuscitaste
deixando-me só
morto
envolto no meu burel
de noivo prometido
à vida
que já tarda


HENRIQUE LEVY




In: O silêncio das almas. Macau: Criarinovar, 2015, p. 23.
Poema, e imagem associada, partilhado no Facebook, 14.03.2015.

01/03/2015

ENTRE A INTENSIDADE E O SILÊNCIO DA ALMA, CONHECER HENRIQUE LEVY

Henrique Levy, fotogr. no perfil do Facebook , 5.04.2015

A vida


Henrique José de Aguiar Fonte Leandro dos Santos Levy nasceu em Lisboa, a 6 de junho de 1960.

É um poeta, romancista e professor português.


Henrique Levy passou a sua infância em terras africanas, São Tomé e Príncipe e Moçambique, regressando a Portugal na década de 70.
Licenciou-se em Língua e Cultura Portuguesas na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (FLUL) e tornou-se Mestre em Estudos Portugueses com uma tese sobre Florbela Espanca, na Universidade Aberta (1999).

Iniciou a sua atividade profissional no Oriente, em Macau, como professor de Português língua não materna. Prosseguiu a sua carreira docente na FLUL; em Turim, na Itália, como Leitor de Português; na Universidade Autónoma de Lisboa - Camões (1992-2012).
Tendo "peregrinado" por vários países da África Austral, da Ásia e da Europa, assentou finalmente raízes nos Açores, onde casou no dia 25 de abril de 2017.





Estreou-se literariamente com o livro de poesia Mãos Navegadas (1999), inteiramente dedicado à poetisa calipolense Florbela Espanca [1894-1930] e configurando, entre outras, a temática do «amor vivo», tangível e feito descoberta ou navegação; a que se seguiu o volume Intensidades (2001), com tradução italiana, e ousando outros rumos da arte de amar. 

trad. italiana de Mãos navegadas
Conheça um dos poemas 
do livro de estreia sob o signo de Florbela aqui.

O livro O silêncio das almas (2015), prefaciado por Urbano Tavares Rodrigues, singulariza-se por dar expressão ao «erotismo religioso cristão» (Rui Rocha). Uma colectânea eivada na tradição de Mariana Alcoforado, Frei António das Chagas, Florbela Espanca e quiçá José Régio, intertextualidades a descobrir e a (não) confirmar pelo leitor atento.
Recentemente, editou Noivos do Mar (2017) e O Rapaz do Lilás (2018), obras que são a expressão poética de uma verdadeira alquimia amorosa,  a sua fusão harmoniosa com o Outro-ele mesmo das ilhas açorianas, núpcias libertadoras e litertárias. Na carta preliminar dirigida ao leitor no livro O Rapaz do Lilás, Henrique Levy elucida que "a vida, que por estes versos escorre, escuta um íntimo paraíso, vence distâncias e foge num voo ao espírito divino, lugar habitado por todas as vidas cujo sentido o poeta desconhece, mas busca."
Tem colaborado com poemas em várias antologias coletivas.


É ainda autor dos romances Cisne de África (2009)  Praia Lisboa (2010), ambos configurando a importância do Amor nas nossas vidas. A primeira narrativa, localizada em território moçambicano, retrata através de uma protagonista feminina «a intensidade dos conflitos emocionais» em tempo de guerra; por seu lado, o segundo título sugere já a dualidade espacial do romance, repartindo a fuga à solidão dos seus seres comunicantes ora pela insularidade da cidade da Praia, em Cabo Verde, ora pela capital portuguesa, espaço mais aberto às possibilidades do amor.




No Youtube, 3.11.2013. [Clique no título para visualizar]

A obra
  • Florbela Espanca: leituras – tese de mestrado em Estudos Portugueses. Lisboa: Universidade Aberta, 1999.
  • Mãos navegadas, poesia. Odivelas : Europress, 1999.
  • Intensidades, poesia; il. Francisco Casanova. Odivelas: Europress, 2001.
  • Cisne de África, romance. Lisboa: Livros de Seda, 2009. 
  • Praia Lisboa, romance; capa com pintura de João Figueiredo: “Psycho impossibility”. Lisboa: Livros de Seda, 2010. – 
  • O silêncio das almas, poesia; pref. de Urbano Tavares Rodrigues; capa de Nuno Ricardo Ascenção. Macau: Criarinovar, 2015.
  • Noivos do Mar, poesia, pref. de Miguel Real. Fafe: Labirinto, 25 de abril de 2017.
  • O Rapaz do Lilás, poesia, pref. de Daniel Gonçalves. Ribeira Grande, Ilha de São Miguel, Açores: Confraria do Silêncio, 2018.






Algumas referências


Em jovem, com o gatinho Aly  (in Facebook)