«mas deixemos os poetas livres, deixemos viver, em cada época, até para exemplo, um punhado de almas livres, inteiramente livres, de almas desviadas, mas que se castiguem e fiquem presas na sua própria liberdade!...» - António Ferro
02/02/2014
24/01/2014
«E da noite súbito vencida... seus longos cabelos madrugantes.» - José Terra
"O nascimento de Vénus", 1875
por Alexandre Cabanel (francês, 1823–1889)
Fonte da imagem: Metropolitan Museum of Art
E da noite súbito vencida
um corpo auroreal vai-se movendo,
primeiro os braços afastando as trevas,
pouco depois a fronte gloriosa
com dois olhos mansos como fontes
e o torso nu, as ancas e o sexo.
Eis que desfaz os últimos indícios
da noite espectral e primitiva
e corre pelos montes e florestas,
deixando atrás de si rios e lagos
e os belos animais surpreendidos.
Eis que solta um grito misterioso
em direcção ao mar que se ilumina
e das suas ondas Ela irrompe
com os seios marítimos, salinos,
e algas, búzios, peixes, escorrendo
dos seus longos cabelos madrugantes.
José Terra
Para o poema da criação, 1953
Edição utilizada: Líricas Portuguesas – 3.ª Série, org. de Jorge de Sena, Vol. II, 2.ª ed., Lisboa: Edições 70, 1983, pp. 356-357.
17/01/2014
Testemunho de Jorge de Sena sobre a obra do poeta José Terra
«A sua poesia foi evoluindo em concentração expressiva, de livro para livro, e também em segurança formal e equilíbrio de gosto, adquirindo uma força e uma intensidade de lirismo entre ansioso e grave, que espelha admiravelmente algo de cultura clássica apaixonadamente revivida na experiência direta da terra e da paisagem. O que poderia ser um artificial esteticismo classicizante foi, assim, uma vigorosa expressão, cheia de ressonância, do encontro entre uma educação e uma experiência de vida. Poesia de ardente juvenilidade, metaforicamente pensativa, mas muito direta na comovida dicção de um sentimento generoso, foi das mais notáveis de entre as reveladas no período coberto por esta antologia.» - Jorge de Sena
in Líricas Portuguesas - 3.ª Série - II volume, 2.ª ed., Lisboa: Ed. 70, 1983, p. 355 [1.ª ed., Lisboa: Portugália, 1958] - org. Jorge de Sena.
Hoje, 17 de janeiro de 2014, o Poeta José Terra reencontrou o Paraíso
José Terra
n. Prozelo, Arcos de Valdevez, 24.05.1928 - m. Paris, 17.01.2014
«Paradise Regained» poema publicado in O Comércio do Porto, supl. “Cultura e Arte”, Porto, 1953?; integrado no volume Para o poema da criação, Lisboa: Edições Árvore, [12 de março] 1953.
Consulte o post - José Terra - A vida e a obra poética
Algumas notícias assinalando a morte do Poeta, registadas neste post depois do dia 17:
2. RIBEIRO, Daniel [correspondente em
Paris], «Morreu José Terra», in Expresso [digital], Sociedade, 17.01.2014
– 19h49.
3. Redação & Lusa [Agência], «Morreu em Paris o poeta português José Terra», in Diário Digital, 17.01.2014
– 20h21.
5. LUSA [Agência], «Óbito. Morreu em Paris o poeta português José Terra», in Diário de Notícias
[digital], Artes, 17.01.2014.
5. Redação, «Morreu em Paris o poeta português José Terra», in Jornal de Notícias [digital], Cultura, 17.01.2014.
7. Redação & Lusa [Agência], «Morreu em Paris o poeta português José Terra», in Público [digital],
Cultura, 18.01.2014 – 15h17. – Com uma fotografia do poeta.
8. Redação & Lusa [Agência], «Morreu em Paris o poeta português José
Terra, de 83 anos [sic - 85]», in Lux [digital],
Nacional, 18.01.2014 – 09h42.
9. ASSOCIATION ADEPBA, «L'ADEPBA rendra hommage à José Terra, l'un de ses fondateurs en 1973» -
mensagem colocada no Facebook, em 20.01.2014, reproduzindo o texto da LUSA
[18.01.2014 - 15:17] e com uma fotografia do poeta
[Fontenay-sous-Bois, abril 2007].
10. Camões - Instituto da Cooperação e da Língua & Lusa
[Agência], «Morreu o professor José Terra, referência dos Estudos de Língua Portuguesa
em França», sítio de Camões - Instituto da Cooperação e da Língua,
secção “Notícias. Língua e Cultura”, 21.01.2014.
11. ANTUNES,
José Carlos Janela, «Combater o bom combate», Notícias de Vila Real do
22/01/2014, p. 4.
12. Redação, «Morreu em Paris o professor José Terra. Poeta e professor jubilado das
universidades francesas», in Luso
Jornal [digital], Comunidade, 22.01.2014, p. 6.
13. ASSOCIATION ADEPBA, «Lettre d'information. L'ADEPBA
a le regret de vous annoncer le décés du Professeur José da Silva Terra,
l'un de ses fondateurs en 1973», carta-eletrónica reenviada ao autor deste
blogue, 23.01.2014 - às 17:44.
14. AA.VV, «Morreu José Terra, uma figura
notável da cultura portuguesa contemporânea» [título na 1.ª página] – dossiê
dedicado ao poeta, in Notícias dos Arcos,
n.º 522 (III série), Arcos de Valdevez, 23.01.2014. – Contém, para além dos
textos registados abaixo (de M.
15. PINTO; A. CACHO; J. BARROS), a «Mensagem de condolências do Município» pelo
Presidente da Câmara Municipal, João Manuel Esteves, p. 9; notícia das
“Celebrações”: funeral, missa e homenagem da Universidade da Sorbonne, ibidem; e breve notícia saudosa de «José
Terra» por Amândio Peixoto, p. 10.
16. PINTO, Mário G. L. Barros, «Editorial.
Morreu José Terra, uma figura notável da cultura portuguesa contemporânea», Notícias dos Arcos, n.º 522 (III série),
Arcos de Valdevez, 23.01.2014, p. 2.
17. CACHO, António, «José Terra», Notícias dos Arcos, n.º 522 (III série),
Arcos de Valdevez, 23.01.2014, pp. 7-8.
18. BARROS, José, «França. Morreu o homem de letras, o professor e o poeta José Terra», Notícias dos Arcos, n.º 522 (III série), Arcos de Valdevez, 23.01.2014, p. 9.
19. Redação, «Depois de amanhã / irei com o
Álvaro de campos para Glasgow» [poema, de José Terra], Expresso, supl. “Economia”,
Lisboa, 25.01.2014, p. 5.
20. Redação?,
[página dedicada ao funeral em Paris (e em Prozelo) de José Terra], Notícias
dos Arcos , n.° 523, 30.01.2014, p. 18.
21. SOARES, Mário, «O tempo e a memória. Os humanos estão a
destruir a Terra», crónica, Diário de Notícias, 11.02.2014, p. 55; texto
reproduzido igualmente online: «Opinião.
Os humanos estão a destruir a Terra».
22. LIMA, Cláudio, «Na morte de José Terra», As Artes entre as Letras, Porto, 26.02.2014, p. 20.
23. Redação, «Os que morreram: José Terra», in "Especial 2014-15" de Público [online], dez. 2014; reprod. neste blogue.
23. Redação, «Os que morreram: José Terra», in "Especial 2014-15" de Público [online], dez. 2014; reprod. neste blogue.
José Terra - A OBRA
Com pref. de José Manuel da Costa Esteves.
Este volume reune integralmente os quatro livros do poeta,
acrescidos de textos dispersos e inéditos.
acrescidos de textos dispersos e inéditos.
Poesia [e um conto]
1. Canto da Ave Prisioneira.
Lisboa: Edição do autor, 1949 – capa com um desenho de José Viana Dionísio [o
futuro actor José Viana).
2. Para o Poema da Criação.
Lisboa: Edições Árvore, 1953 – Com dois desenhos de Cipriano Dourado e o poema
em prosa «A visão paradisíaca» de António Ramos Rosa.
3. Canto Submerso. Lisboa:
Portugália Editora, 1956 – Com capa do pintor Fernando Azevedo –
Prémio de poesia «Teixeira de Pascoaes».
4. Espelho do Invisível.
Lisboa: Livraria Morais Editora, 1959 – Col. “Círculo de Poesia”.
5. «Vou até
ao fim do mundo», conto de 1951, in Contos
do Minho: colectânea de contistas minhotos.
Póvoa de Lanhoso: Ave Rara, 2002, pp. 161-174.
Alguma poesia publicada dispersamente
- «Estiagem» [Para Álvaro Salema; soneto, posteriormente intitulado “Verão”], in Seara Nova, n.º 58, 8.11.1947, p. 149.
- «[poema]», in revista Cassiopeia, n.º 1 [número único], março 1955.
- «Paradise Regained» [Paraíso recuperado/ reencontrado], in O Comércio do Porto, Porto, supl. “Cultura e Arte”, 1953?; reprod. em Para o poema da criação, Lisboa: Edições Árvore, [12 de março] 1953.
- «“1 /Um rosto emerge da penumbra: um barco/; “2 /No obscuro as mãos e só as mãos, as puras/» [sonetos], revista Pentacórnio, Lisboa, vol. 5, 31.12.1956, p. 18.
- «Soneto para o estrangeiro» [o primeiro poema do volume Canto Submerso], in jornal Itinerário, Lourenço Marques, n.º 147, junho 1955, pp. 8-9 – Com nota biográfica na p. 8.
- «Oh palavras…» [quatro estrofes de dez versos, numeradas; escrito em “Montreuil-sous Bois, 12-10-70”], in Colóquio/Letras, n.º 8, jul. 1972, pp. 64-65.
- «No fio do tempo… / Sur le fil du tempps… – Algumas liras para Anne-Marie Quint» [versão bilingue do poema, tradução do Autor], in PENJON, Jacqueline (ed.), Le Sel de la terre. Hommage à Anne-Marie Quint, Paris: Presses Sorbonne Nouvelle, 2013, p. 28. [ass. dos poemas: “José da Silva Terra”].
Colaboração poética em antologias colectivas
- Líricas Portuguesas – 3.ª Série, de Jorge de Sena (1958, 1983), vol. II;
- História da Poesia Portuguesa do Século XX, acompanhada de uma antologia, de João Gaspar Simões (1959);
- Antologia da Novíssima Poesia Portuguesa, de Maria Alberta Menéres e E. M. de Melo e Castro (1959, 1961, 1971), e Antologia da Poesia Portuguesa 1940-1977, 1.º vol. (1979);
- Antología de la nueva poesía portuguesa, de Ángel Crespo (1961);
- «Poètes portugais», de Arnaldo Saraiva, in rev. Esprit, nouv. série, n.º 7-8 (1967);
- Poetas Portuguêses Modernos, de João Alves das Neves (1967);
- Variações sobre um Corpo, de Eugénio de Andrade (1972, 1973);
- 800 Anos de Poesia Portuguesa, de Orlando Neves e Serafim Ferreira (1973);
- Portugalskaya poesia XX veka [Poesia Portuguesa do Século XX], de E. Golubeva (ed. russa, 1974);
- Da Outra Margem, de Maria Armandina Maia (2001).
Monografias
1. Organizou a antologia – La Littérature Portugaise Contemporaine. Paris : Pleiade, 1968.
2. Le poète portugais Gomes Leal, Albert de Quintana et les fêtes
latines de Montpellier de 1878. S.l.: s.n.. 1900. [ass. J.
F. da Silva Terra].
3. Les exils de Garrett en France. S.l.: s.n., 1968. [ass. José
F. da Silva Terra].
4. L' Édition princeps du Dialogo de Preceitos Moraes de João
de Barros. Lisboa: Institut Français au Portugal, 1969. [ass. José
F. da Silva Terra].
5. Seis poemas de André de Resende. Paris: Fund.
Calouste Gulbenkian, 1974.
6. Espagnols au Portugal au temps de la reine D. Catarina. Paris: Fund.
Calouste Gulbenkian, 1975.
7. António Ferreira et António de Sá de Meneses. Lisboa:
Institut Français au Portugal, 1977.
8. Breve comentário sobre um capítulo da "Crónica de D.
Manuel" de Damião de Góis e uma Carta do Conde de Alcoutim. Paris: Fund.
Calouste Gulbenkian, Centro Cult. Português, 1982.
9. Os emigrados liberais portugueses em França. Paris: Fund. Calouste
Gulbenkian, Centre Culturel Portugais, 1983.
10. «João Rodrigues de Sá
de Meneses et l’humanisme portugais» - Thèse d’Etat, sous la direction de
Monsieur Georges Boisvert. Paris III, 1984.
11. Para o estabelecimento crítico de um corpus do teatro
português do século XVI. Paris: Centre Culturel Portugais, 1986.
12. Pour un corpus critique bilingue des textes fondamentaux des
XVe. et XVIe. siécles sur l'expansion portugaise. Paris: Fond. Calouste Gulbenkian, Centre
Culturel Portugais, 1986.
Artigos
13. «Sobre poesia e alguma
coisa mais», in Jornal de Elvas, n.º
960, 6.02.1947, p. 4. [ass. José Terra]
14. «Apresentação
de T. S. Eliot», Cassiopeia – Antologia
de poesia e ensaio, n.º 1 [único], março 1955.
15. Testemunho
em «Para a história de “Árvore” e da sua época», Letras e Letras, n.º 56, 02.10.1991,
p. ?
16. «No
aniversário de um grande poeta», Relâmpago,
Lisboa, n.º 5 – Homenagem a António Ramos
Rosa, 1999, pp.97-100.
17. «Toponymie
afro-portugaise au XVème siècle», Colloque
international sur la Néologie Ibérique, Paris, Col. Ibérica-essais, 2000,
pp.131-157.
18. «REVAH,
Israel Salvador – lusófilo francês (Berlin 1917 - Créteil 1973)», Biblios: Enciclopédia Verbo das Literaturas
de Lígua Portuguesa, vol. 4, Lisboa: Verbo, 2001, pp. 737-739.
19. «RICARD,
Robert – lusófilo francês (1900-1984)»,
Biblios: Enciclopédia Verbo das Literaturas de Lígua Portuguesa, vol.4,
Lisboa: Verbo, 2001, pp. 802-805.
20. «Cabo
Cortês ou cabo Mesurado? / Angra des Voltas ou Angra da Volta / Angra dos
Vaqueiros ou Angra de Sao Brás», Vents du
Large, Hommage à Georges Boisvert. Paris: Presses Sorbonne Nouvelle, 2002,
pp. 29-47.
21. «Paul Teyssier
(1915-2002)», note nécrologique avec bibliographie, Estudis Románics, vol.XXV, Barcelona: Institut d’Estudis Catalans, 2003,
pp. 515-523.
22. «José
Viana – Lembrança do artista quando jovem», JL
- Jornal de Letras, Artes e Ideias, Lisboa, 22.01.2003.
23. «Garrett
e a França», in Almeida Garrett / um
romântico / um moderno. Actas do Congreso Internacional de Coimbra, org.
por Ofélia Paivca Monteiro e Maria Helena Santana, vol. II, Lisboa:
Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2003, pp. 263-285.
24. «“Árvore” vue de
l'intérieur» [comunicação], in Árvore et
la poésie portugaise des années cinquante (1951 -1953), Actes du colloque
organisé par Maria Helena Araújo Carreira (Universités de Paris III, Paris IV
et Paris VIII), Paris: Éditions
Lusophone, 2003, pp. 127-140.
25. «Espagne
et espagnols dans la Miscelânea de Garcia de Resende», in Humanismo para o nosso tempo, vol. de homenagem ao Professeur Luís
de Sousa Rebelo, org. José V. de Pina Martins et al.. Lisboa: Fundaçao Calouste Gulbenkian, 2004.
26. «In memoriam José Augusto Seabra (18 février
1937 - 27 mai 2004)», in Cahier n.º 12
do CREPAL [Centre de Recherche sur les pays lusophones]. Paris: Presses
Sorbonne Nouvelle, 2005, p. 205-210.
27. «TEYSSIER,
Paul», Biblios: Enciclopédia Verbo das
Literaturas de Lígua Portuguesa, vol.5, Lisboa: Verbo, 2005, pp. 423-428.
Tradução
Traduziu para português:
Na Livros do Brasil
- A tempestade / George Stewart, trad. Alex Vianny; rev. para Portugal por José Terra. Lisboa: Livros do Brasil, 1950.
- A mulher-raposa / David Garnett. Lisboa: Livros do Brasil, 1955.
- Vigia do mundo / Giovanni Papini. Lisboa: Livros do Brasil, 1955; 2.ª ed., 1960.
- Os anjos negros / François Mauriac. Lisboa: Livros do Brasil, 1956.
- O bairro / Vasco Pratolini. Lisboa: Livros do Brasil, 1956.
- As raparigas de Sanfrediano / Vasco Pratolini. Lisboa : Livros do Brasil, 1956.
- A queda / Albert Camus. Lisboa: Livros do Brasil, 1957, 1963, 1965, 1969, 1971, 1972, 1974, 1981, 1983, 2008.
- A vida de Victor Hugo /André Maurois. Lisboa: Livros do Brasil, 1958 / nova ed.: Lisboa : Círculo de Leitores, 1977 – sob o título Victor Hugo.
Na Europa-América
- História da literatura italiana / Paul Arrighi. Lisboa: Europa-América, 1959.
- O fenómeno humano / Pierre Teilhard de Chardin, trad. de Léon Bourdon e José Terra. Porto: Livr. Tavares Martins, 1965; 2.ª ed, 1966; 3.ª ed., 1970.
Na Portugália
- Consideram-se mortos e morrem / Elio Vittorini. Lisboa: Portugália, 195? .
- Camões / Georges Le Gentil, trad. e notas de José Terra. Lisboa: Portugália, 1969.
Arcos de Valdevez: Câmara Municipal
- Soajo: entre migrações e memória: estudos sobre uma sociedade agro-pastoril de identidade renovada / Colette Callier-Boisvert, trad. José Terra, texto rev. e aumentado. Arcos de Valdevez: Câmara Municipal, 2004.
Traduziu para francês:
16/11/2013
Do atinar com a Maria Joana
![]() |
| Fusão digital de grav.
de Cruzeiro Seixas e des. de João Filipe Bugalho |
Conheci-a pessoalmente há pouco tempo. Hesitara em telefonar-lhe
– um defeito meu! – para não a incomodar visto só ter o seu telefone de casa.
Depois, intimado pela sua energia e determinação contagiantes, conhecia-a em
casa de gente amiga e vizinha e atinei
logo com ela.
É uma mulher ancorada embora desprendida, com presença –
ocupa o aqui, o agora e o isto de que
conversamos – e cuja primeira impressão ficará registada para sempre e que
só parcialmente registo aqui: estava toda vestida de preto, entre o
jovial-gótico e um feminino esmerado; a sua voz chegava-me por entre o fumo do
cigarro e os seus cabelos densos e ondulados, ora mostrando os olhos intensos e
perspicazes, ora ocultando o rosto – imaginei-a personagem de romances, com
intriga policial, misto de Casa Blanca e
Pulp Fiction… mas vejo-a sobretudo como
uma pessoa comunicativa, brilhante em ideias e planos, apreciadora de belos e
bons livros, com um desembaraço de movimentos invejável.
É muito breve e impressionista este retrato; o que agora se
segue – uma nota biobibliográfica – é mais objetivo e convencional: coligi
informação e admiração pela Joana Morais Varela e compus este “verbete” de vida
vivida, que aqui apresento para quem gosta das coisas literárias.
A VIDA
Maria Joana Custódio de Morais Varela nasceu na Marinha Grande,
a 14.02.1952.
Editora, tradutora,
professora, escritora, mulher, mãe, amiga.
Figura pública, para comemorar o seu 60.º
aniversário, Joana Morais Varela reuniu um grupo
de amigos e familiares no restaurante Mestiço, em Lisboa.
![]() |
| Com M.ª da Paz Brito, José M.ª Carrilho, os netos Vasco e Rita |
Frequentou o
Liceu de Leiria e licenciou-se em Filosofia pela Faculdade de
Letras da Univ. de Lisboa (1975), onde foi aluna de David Mourão-Ferreira.
Foi
professora do ensino secundário (1975-78) e do Instituto Superior de Línguas e
Administração de Santarém (1997-2001). Dirigiu a divisão de Difusão do Livro do
Instituto Português do Livro (1980-1985) e foi membro da Comissão de Leitura do
Serviço de Bibliotecas Fixas e Itinerantes da Fundação Calouste Gulbenkian
(1983-88). Tendo começado a trabalhar na Revista Colóquio/Letras em 1985, ascenderia à
direção da revista em 1996, por morte de David Mourão-Ferreira, prosseguindo a valorização
editorial de números monográficos e de elevado apuramento estético.
Tendo apresentado uma rubrica literária na RTP (1983-84), o seu interesse pela Literatura estende-se por domínios como a edição, a leitura crítica, a tradução e a criação poética.
Tendo apresentado uma rubrica literária na RTP (1983-84), o seu interesse pela Literatura estende-se por domínios como a edição, a leitura crítica, a tradução e a criação poética.
Joana Morais Varela organizou e editou volumes antológicos de David Mourão-Ferreira (Quatro Tempos, 1996); António Nobre (Só os melhores poemas, 1997); Vitorino Nemésio (Se bem me lembro…, 2001); Cristovam Pavia (Poesia, 2010) e de Henrique Segurado (Almocreve de Palavras: poesia 1969-1989, 2011).
Redigiu leituras
críticas – prefácios, artigos, resenhas, nótulas críticas… – sobre autores
nacionais e internacionais de géneros literários diversos e para públicos
igualmente diversificados. Uma pesquisa na secção “Rol
de Livros” da Fundação Calouste Gulbenkian, sob o nome Joana Varela,
revela cerca de 898 resultados.
Uma das áreas
em que cedo demonstrou labor e reconhecido mérito foi o da tradução, para a
língua portuguesa, de obras de autores mundiais. Traduziu Gilles
Deleuze e Félix Guatarri (O Anti-Édipo, 1977; Mil planaltos, 2004); James Joyce (O Gato e o Diabo, 1983); Michel Tournier (Que a alegria em mim permaneça: conto de
Natal, 1985);
Milan Kundera, A insustentável leveza do ser, 1985
/ 30.ª ed., 2013); Albert Cohen (O livro de minha mãe, 1986); Antoine de
Saint-Exupéry (O Principezinho, 1986 / 32.ª ed., 2009);
Leopoldo Alas (A
Corregedora, 1988); Sigmund Freud (Delírio e sonhos na Gradiva de Jensen, 1995)
e Gabriele Giuga (Barco
negro: a emoção e a palavra, 2007).
Joana Morais Varela publicou ainda em
1983 o volume poético - Os amores perfeitos, com “Histórias
de bichos” e outras ilustrações de Artur Cruzeiro Seixas.
Logo que
tenha acesso a este álbum colocarei aqui um dos seus textos.
A OBRA
Edição / organização de volumes antológicos
- Pequeno roteiro da história da literatura portuguesa / Instituto Português do Livro, org. Joana Morais Varela; colab. Miguel Serras Pereira et al.; coord. David Mouräo-Ferreira. Lisboa: IPL, 1982.
- David Mourão-Ferreira, Quatro Tempos – antologia poética e CD com poema ditos por Luís Lucas, Lisboa: casa Fernando pessoa / Presença, 1996. – Org..
- António Nobre, Só os melhores poemas. Lisboa: Dom Quixote, 1997. – Sel. e org..
- Vitorino Nemésio, Se bem me lembro…, Lisboa: Contexto, 2001. – Sel. e org..
- Cristovam Pavia [Francisco Bugalho], Poesia, pref. Fernando J. B. Martinho, rev. Luís Manuel Gaspar. Lisboa: Dom Quixote, 2010. – Edição e notas.
- Henrique Segurado, Almocreve de Palavras: poesia 1969-1989, des. Rui Sanches. Lisboa: s.n., 2011. – Sel. e org..
Alguns estudos, prefácios, resenhas, nótulas críticas…
- Fernanda Botelho, A Gata e a Fábula: romance, Introd. Joana Morais Varela, Lisboa: Círculo de Leitores, 1987. – Introd.
- «“Canção à maneira e à memória de António Boto” por Vitorino Nemésio», Luís Amaro & Joana Morais Varela, Colóquio/Letras, n.º 113/114, jan. 1990, pp. 5-12.
- «Uma “árvore” de quarenta anos», Colóquio/Letras, Lisboa, n.º 121/122, jul. 1991, pp. 284-285.
- «Confissões de tradutor. O arquipoeta de Colónia e Walther von der Vogelweide em versões portuguesas de David Mourão-Ferreira», Colóquio/Letras, n.º 142, out. 1996, pp. 165-183.
- Francisco Bugalho, Poesia. 2.ª ed., Lisboa: LG, 1998. [1.ª ed., Poesia: margens: canções de entre Céu e Terra: paisagem: dispersos e inéditos, pref. José Régio. Lisboa: Portugália, 1960].
- Raul Lourenço, A caminho do paraíso, Apresent. Joana Morais Varela, Alpiarça: Garrido Editores, 2001.
- «David: à guitarra e à viola», in Primavera / David Mourão-Ferreira, Lisboa: Museu do Fado, 2007.
- Ver: VARELA, Joana - Recensões críticas [898 resultados, em pesquisa], em “Rol de Livros” da in Fundação Calouste Gulbenkian.
Poesia
- Os amores perfeitos, il. Artur Cruzeiro Seixas [gravura – “Histórias de bichos”], Lisboa: Contexto, 1983 [1.ª Ed. – tiragem única de 700 exemplares; 22,5 x 32,5 cm].
Tradução
- Gilles Deleuze e Félix Guatarri, O Anti-Édipo: capitalismo e esquizofrenia. Lisboa: Assírio & Alvim, 1977. – co-trad. com Manuel Maria Carrilho.
- James Joyce, O Gato e o Diabo. Lisboa: Contexto, 1983.
- Michel Tournier, Que a alegria em mim permaneça: conto de Natal, il. Jean Claverie. Lisboa: Contexto, 1985.
- Milan Kundera, A insustentável leveza do ser. Lisboa: Dom Quixote, 1985 / 30.ª ed., 2013. – trad. e posfácio.
- Albert Cohen, O livro de minha mãe. Lisboa: Contexto, 1986.
- Antoine de Saint-Exupéry, O Principezinho. Lisboa: Caravela, 1986 / 18.ª ed., 1995. / 32.ª ed., Barcarena: Presença, 2009.
- Michel Tournier, O Rei dos Álamos. Lisboa: Círculo de Leitores, 1986.
- Leopoldo Alas, A Corregedora. Lisboa: Contexto, 1988.
- Sigmund Freud, Delírio e sonhos na Gradiva de Jensen. Lisboa: Gradiva, 1995.
- Gilles Deleuze e Félix Guatarri, Mil planaltos. Lisboa: Assírio & Alvim, 2004.
- Gabriele Giuga, Barco negro: a emoção e a palavra. Lisboa: Museu do fado, 2007.
PARA SABER MAIS
- «Joana Varela», in “Colóquio/Letras: História” na página da Fundação Calouste Gulbenkian (consultado a 13.11.2013).
- «Joana Morais Varela», in Wikipédia.
- Blogue sobre “Joana Morais Varela” [2008].
- Redação da CARAS (2012), «Joana Morais Varela festeja 60.º aniversário», in Caras [online: http://caras.sapo.pt], 29.01.2012. – Com 15 fotografias do evento por Paulo Jorge Figueiredo.
- GUEDES, Maria Estela (1986), Recensão crítica de Os Amores Perfeitos, de Joana Morais Varela, Colóquio/Letras, Lisboa, n.º 89, jan. 1986, p. 90.
- SILVA, Manuela Parreira da (2010), Recensão crítica de Poesia, de Cristovam Pavia; ed. Joana Morais Varela […], 2010, Colóquio/Letras, n.º 177, maio 2011, pp. 211-213.
José Carlos Canoa
16.11.2013
06/10/2013
José Terra - A vida e a obra poética
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José Terra
Abril de 2007, no Monumento ao 25 de Abril,
em Fontenay-sous-Bois (região parisiense)
por Dominique Stoenesco
|
José Terra [pseudónimo
de José Fernandes da Silva] nasceu em
Prozelo, Arcos de Valdevez, a 24.05.1928.
Poeta, filólogo,
historiador, ensaísta, crítico, tradutor e professor catedrático.
Tendo frequentado o seminário até
aos dezassete anos, fixa-se em Lisboa como empregado comercial (1946) e
frequenta estudos universitários. É licenciado e mestre em Filologia Clássica
pela Universidade de Lisboa. Doutorou-se na Sorbonne – Universidade de Paris
III, em 1984, com a tese intitulada «João Rodrigues de Sá de Meneses e o
Humanismo Português».
Lecionou no ensino secundário,
em Lisboa, e a partir de 1957, ano em que é nomeado pelo Instituto de Alta Cultura como Leitor de Português numa universidade em França,
não mais deixará de ensinar e promover a língua e a cultura portuguesas nesse
país: em Aix-en-Provence, Nice, Paris. Desde 1988 que é professor
catedrático na Universidade de Paris IV – Sorbonne, agora jubilado.
Cofundador e coeditor – com António Luís Moita,
António Ramos Rosa, Luís Amaro e Raul de Carvalho – da revista Árvore – folhas de poesia, de que saíram quatro fascículos: de 1951 a
1953 [1.º fasc., Outono de 51; 2.º
fasc., Inverno de 51-52; 3.º fasc., Primavera e Verão de 52; Vol. II,
primeiro fasc., Outono de 53. No último fasc., Egito Gonçalves substitui
António Luís Moita] e, na sua sequência, cofundador da revista Cassiopeia
– Antologia de poesia e ensaio, igualmente publicada em fascículos
e de que saiu um número único, em março de 1955, sob orientação de António
Carlos, António Ramos Rosa, João Rui de Sousa, José Bento e José Terra.
Colaborou como
poeta e como ensaísta – neste domínio tem-se dedicado sobretudo à literatura e à história do Renascimento
– em diversas publicações periódicas: Árvore,
Cassiopeia, Seara Nova, Vértice, Nova Renascença, Colóquio/Letras, JL – Jornal de
Letras, Artes e Ideias, Diário de Notícias,
O Comércio do Porto, Boletim Internacional de Bibliografia Luso-Brasileira, etc.
Distinguiu-se na escrita literária com a publicação de quatro livros de poesia: Canto da ave prisioneira (1949), Para o poema da criação (1953), Canto submerso (1956) e Espelho do invisível (1959). Volumes agora reunidos em edição integral na sua OBRA POÉTICA (Porto: Modo de ler, 2014 – no prelo), acrescida de textos dispersos e inéditos, tornando a sua poesia visível para o leitor atual, libertando o canto da ave poética para que espelhe a sua arte no panorama literário português.
O seus poemas
foram incluídos em diversas antologias poéticas coletivas e pelo seu volume Canto submerso (1956) foi galardoado com o Prémio de
Poesia «Teixeira de Pascoaes», um ano antes.
Como tradutor, verteu para a língua portuguesa, especialmente com a
chancela Livros do Brasil, obras de David Garnett (A mulher-raposa, 1955); Giovanni Papini (Vigia do mundo, 1955); François Mauriac
(Os anjos negros, 1956); Vasco
Pratolini (O bairro, 1956; As raparigas de Sanfrediano, 1956);
Albert Camus (A queda, 1957, com
muitos “reprints” até à atualidade);
André Maurois (A vida de Victor Hugo, 1958);
Paul Arrighi (História da literatura italiana, 1959);
Pierre Teilhard de Chardin (O fenómeno
humano, 1965 – trad. com Léon Bourdon); Elio Vittorini (Consideram-se mortos e morrem, Lisboa:
Portugália, 195?); Georges Le Gentil (Camões,
1969 – trad. e notas); Colette Callier-Boisvert (Soajo: entre migrações e memória: estudos sobre uma sociedade
agro-pastoril de identidade renovada, 2004 – trad., texto rev. e
aumentado). Traduziu para
francês uma antologia da poética de Ruy Belo – Une façon de dire adieu (1995).
José Carlos Canoa
Principal fonte bibliográfica:
Dicionário
Cronológico de Autores Portugueses, Vol. V,
Lisboa, 1998 – versão online na DGLB.
OBRA POÉTICA + um conto:
Canto da Ave Prisioneira
Lisboa: Edição do autor, 1949.
– capa com um desenho de José Viana Dionísio
[o futuro actor José Viana).
Para o Poema da Criação
Lisboa: Edições Árvore, 1953.
– Com dois desenhos de Cipriano Dourado
e o texto poético «A visão paradisíaca» de António Ramos Rosa.
Canto Submerso.
Lisboa:
Portugália Editora, 1956.
– Com capa de Fernando do pintor Fernando Azevedo
–
Prémio de poesia «Teixeira de Pascoaes»,
recebido no “ano anterior”.
Espelho do Invisível
Lisboa: Livraria Morais Editora, 1959.
– Col. “Círculo de Poesia”.
in Contos do
Minho: colectânea de contistas minhotos.
Póvoa de Lanhoso: Ave Rara, 2002, pp. 161-174.
Póvoa de Lanhoso: Ave Rara, 2002, pp. 161-174.
Receção a Obra Poética (Modo de ler, 2014)
- GUIMARÃES, Fernando, «Reler José Terra», Relâmpago, n.º 34, abril 2014, pp. 208-210.
Alguns estudos sobre José Terra
S.a. – "MARIA DE
Lourdes Belchior, José Terra e Pedro Tamen", Colóquio/Letras. Letras em Trânsito, n.º 140/141, abr. 1996,
p. 349.
AA.VV, Árvore et la poésie portugaise
des années cinquante (1951 -1953), actes du colloque organisé par Maria
Helena Araújo Carreira, Paris: Éditions
Lusophone, 2003.
ANTUNES, Manuel, «?»,
in Brotéria, Lisboa, vol. 56, 1953, pp.
491-494; reprod. in Padre Manuel Antunes, SJ, Obra Completa: Estética e
Crítica Literária, t. V, vol. I, Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 2009,
pp. 25-26, 28.
ANTUNES, Manuel, «?»,
in Brotéria, Lisboa, vol. 62, 1956, pp.
587-596; reprod. in Padre Manuel Antunes, SJ, Obra Completa: Estética e
Crítica Literária, t. V, vol. I, Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 2009,
p. 201.
BRASIL, Jaime [?] – «Livros e
Publicações – Canto da Ave Prisioneira
– por José Terra – Com capa desenhada por Viana Dionísio» [Edição do Autor,
1949], in O Primeiro de Janeiro,
18.04.1949, p. 6.
COELHO, Eduardo Prado, «A arte e o invisível na poesia de
José Terra», in A Palavra sobre a Palavra.
Porto: Portucalense Editora, 1972, pp. 205-214.
COCHOFEL, João José,
«Crónica de poesia», in Gazeta Musical e
de Todas as Artes, Lisboa, n.º 87, jun. 1959, pp. 107-108; reprod. in Críticas e Crónicas, pref. Rui Feijó,
Lisboa, IN-CM, 1982, p. 183.
DIAS, Akima, «Uma leitura do conto “Vou até ao fim do
mundo”» [inclui uma “apresentação do autor”], in ROCHA, Paula et al, Contos do Minho… à nossa maneira [baseado no livro Contos do Minho]. Braga: CEFP [Centro de
Emprego e Formação Profissional], 2012, pp. 97-103.
DIONÍSIO, Mário, recensão crítica de: Canto da Ave Prisioneira (1949), Vértice – Revista de Cultura e arte, Lisboa, vol. VIII, 11.07.1949,
p. 57.
ESTEVES, José Manuel da Costa, «La poésie de José Terra: l’acte créateur
comme acte libérateur» [comunicação], in Árvore
et la poésie portugaise des années cinquante (1951 -1953), actes du colloque
organisé par Maria Helena Araújo Carreira, Paris: Éditions Lusophone, 2003.
GONDA, Gumercinda Nascimento, Árvore e o Sentido da Modernidade (As Mil Maneiras de Ver), Tese de
Doutorado em Letras Vernáculas. Faculdade de Letras da UFRJ, 2006.
GONDA, Cinda, «“Árvore”: breve história de uma revista»,
Labirintos: Revista eletrônica do Núcleo
de Estudos Portugueses, n.º 4, 2.º semestre de 2008, Feira de Santana:
Univ. Estadual de Feira de Santana; reprod. em Teia Literária: revista de estudos culturais: Brasil – Portugal -
África [online], n.º 3 – Memória, imaginário e identidade cultural,
São Paulo: In House, 2009 pp. 53-70.
GUISADO, Alfredo – «Livros de Versos. Cântico
da Ave Prisioneira [jan. 1949], de José Terra», in “Literatura” [página
dir. por Alfredo Guisado] do República,
18.03.1949, p. 3.
HÖRSTER, Maria António Henriques Jorge Ferreira, ref.as
à obra de José Terra [interpreta o conjunto da obra do Poeta sob a influência
de Rilke], Para uma História da Recepção
de Rainer Maria Rilke em Portugal (1920-1960). Lisboa: Fundação Calouste
Gulbenkian, 2001, pp. 645-652.
LOPES, Óscar, «A crítica do livro», O
Comércio do Porto, Porto,
24.11.1959, p. 6.
MARTINHO, Fernando J. B., «Fidelidade ao humano» [cap. dedicado aos poetas da Árvore, apresentando uma visão global e
interpretativo da poesia de José Terra], in Tendências
Dominantes da Poesia Portuguesa da Década de 50. Lisboa: Edições Colibri,
1996; 2.ª ed., 2013. – A propósito dos
poetas da Árvore, ver p. 206-271 da
1.ª ed. e 220-290 da 2.ª ed..
ROSA, António Ramos, «José
Terra, “A visão paradisíaca”» - prefácio ao livro Para o Poema da Criação, Lisboa, Edições Árvore, 1953.
ROSA, António Ramos - «?», Seara Nova, Lisboa, n° 1370, dez. 1959, pp. 392-393.
ROSA, António Ramos, Recensão
crítica de: “Espelho do Invisível” (José Terra)”, Ler - Jornal de Letras, Artes e Ciências, dez. 1959, p. 392.
ROSA, António Ramos -«?», Cadernos do Meio Dia, Faro, n° 5, fev. 1960, pp. XIII-XIV.
SENA, Jorge de, nota biobibliográfica, in Líricas Portuguesas – 3.º Série, 2.ª ed.
em 2 vols., Lisboa, Ed. 70, 1983 [A 1.ª ed., Lisboa, Portugália, é de 1958], p. 355.
STOENESCO, Dominique, «Os
poetas portugueses imigrantes, refugiados ou exilados na França (desde os anos
1960-70)» [com nota biográfica sobre José Terra], Légua & Meia: Revista de literatura e diversidade cultural.
Feira de Santana: UEFS, v. 4, n.º 3, 2005, pp. 106-130. – disponível online; reprod., em língua francesa, in Latitudes. Cahiers Lusophones, Paris, n.º 27, septembre 2006, pp. 34-45 – sob o título “Les poètes portugais exilés ou immigrés en France, des années 1960-70 à nos jours” [com ilustrações].
ZIMMERMANN, Marie-Claire, «Do obscuro à escrita: um soneto de José Terra», in Terra de Val de Vez, revista cultural do GEPA (Grupo de Estudos do Património Arcuense), Arcos de Valdevez, n.º 18, 2007, p. 131-132.
ESTE POEMA RESPIRA
Este poema
respira. Em seus flancos
circula o sangue por artérias novas.
Rasgo-lhe a boca e beijo-o. Dou-lhe os olhos
selvagens e esta inocência que é
a sua vida
eterna. Entre os salgueiros
esconde o corpo e o sexo recentes.
Há um cheiro a resina, um cheiro vivo
a sémen,
sangue, suor, a flor carnívora.
Este poema
é macho. Olhai seus músculos
retesos, suas ancas, seus artelhos,
seu sexo erecto, seu púbis, seus mamilos.
A primeira seta do sol fere-lhe os olhos.
Vede-o agora de rosto entre as mãos limpando
a sujidade materna com o seu pranto.José Terra
Canto submerso, 1956
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