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05/09/2019

A "Arte Poética" de Zetho Gonçalves, o escritor do mês de setembro no Camões - Centro Cultural Português em Luanda


A quem possa interessar, aqui fica o texto que propositadamente escrevi para a sessão inaugural deste «O Escritor do Mês», no Instituto Camões/Centro Cultural de Luanda, que me é dedicado. Beijos e abraços.


MUKANDA PARA O CAMÕES, EM LUANDA


Minhas Amigas e meus Amigos,

Tenho, ainda que à distância, acompanhado com o mais vivo interesse e permanente aplauso, o magnífico trabalho que a Dra. Teresa Mateus e a sua equipa têm levado a cabo neste Centro Cultural Português, na divulgação, na discussão e na promoção da poesia, da literatura e da cultura angolanas no seu sentido mais lato. É, deixem-me dizer-vos, um trabalho de paixão lúcida e inquestionável, e, por essa razão, um trabalho muito belo e perene.
O meu muito, muito obrigado, Dra. Teresa Mateus, a si, pessoalmente, e a toda a sua equipa.
Estou naturalmente feliz e comovido pela lembrança do meu nome para figurar hoje, aqui, como «o escritor do mês».
Fisicamente, estou longe, muito longe. Mas em pensamento, estou inteiramente aqui com vocês, como que acabado de chegar do meu Cutato, lá no Cuando Cubango, onde está a origem de toda a minha poesia e de toda a literatura para a infância e juventude que me tem sido possível criar, e para quem endereço, com a vossa permissão, a minha permanente homenagem e a minha mais reconhecida e comovida Ternura.
Cumprem-se, neste ano da graça de 2019, os meus quarenta anos de vida literária, com a publicação do primeiro livro, «Exercício de Escrita», em 1979. É um livro de maus poemas, como não poderia ser de outra maneira para quem não nasceu um «génio», sequer desses «génios» que vulgarmente se aplaudem ainda antes do primeiro vagido.
São maus, repito, muito maus esses poemas. Mas foram os poemas que eu soube e pôde ter escrito, entre os 16 e 19 anos de idade. Nenhum deles se aproveita inteiro, se sustenta íntegro perante a exigência que as múltiplas leituras que vim fazendo e continuo a fazer me levam a impor-me a mim mesmo. Porque naqueles poemas, não era falta de «vida vivida» o que lhes tolhia a qualidade (eu já havia vivido, humanamente, experiências de limite, e não poucas), mas sim a falta de leituras, muitas, atentas e variadas, da Obra de outros, que me permitisse uma consciência mais sólida, um rigor e uma noção mais implacáveis do ofício tenebroso que é o «exercício» da «escrita» em Poema. 
Perguntar-se-á: como nasce um poema? Não há receita nem alguma vez a escrita de um poema se assemelha à do poema seguinte ou à do poema anterior, desde o momento em que a ideia surge até à sua materialização escrita. É, digamos assim, um eterno recomeço, um eterno renascer e reaprender tudo de novo, como se fosse pela primeira vez.
No meu caso pessoal, confesso-vos, sem nenhum pudor, nunca, até hoje, fui capaz de escrever um poema directamente no computador. Trabalho a cábulas ou apontamentos. Não saio à rua sem um papel no bolso. Aí anoto, a esferográfica ou caneta, quando surge, a hipótese de um verso, a matriz para um poema. Essas cábulas ou apontamentos avulsos vão-se acumulando nos bolsos, no meio dos livros que calhe andar a ler (onde por vezes ficam perdidos tempos e tempos), e, depois, uma pilha caótica de vários tamanhos sobre a mesa de trabalho. 
O que parece um poema iminente começa a impor-se-me, torna-se uma obsessão. Quase não durmo. A cabeça não pára, porque é lá que tudo começa sendo escrito e tomando forma. Ou vai parar ao lixo, porque inconsistente, sem força nem sentido. Sem fulgor. E tantas vezes isso acontece! 
Qualquer sítio me serve para trabalhar. Passo tudo a limpo para outra folha, tento alinhar e dar algum sentido a toda aquela papelada caótica e às caligrafias que nela se instalaram. Rasgo, deito fora. Recomeço. Corto palavras, viajo pelos dicionários, experimento outras palavras. Troco a ordem dos versos. Tento outro ritmo, outro cantar, outra metáfora. 
Um poema leva-me meses, às vezes anos, até o dar por acabado. Porque escrever é sobretudo e acima de tudo re-escrever, cortar o que está a mais, numa busca obsessiva e constante da (im)possível perfeição. 
E é tão breve a alegria da consumação de um poema!... Na verdade, ninguém imagina o preço de sangue que se tem que pagar por cada palavra escrita. Porque o poema não perdoa, ao contrário do que se possa pensar. E escrever, garanto-vos, é trabalhar duro, e bem duro, naquilo que parece ociosidade ou preguiça, e que nós em Angola chamamos mangonha. 
E é este mesmo rigor sem contemplações, essa mesma mangonha criadora, que a mim mesmo me imponho na escrita da literatura para a infância e juventude, como, de resto, em qualquer palavra que assine.
Não pensem, porém, que é fácil escrever para crianças ou jovens: é provavelmente muito mais difícil, se se quer fazer obra que encante esses seres ávidos de Vida, irrequietos e desconcertantes que são as crianças, na sua construção de si, e na descoberta das coisas maravilhadas do Mundo e dos mundos em que a si mesmos se vão descobrindo. Ninguém consegue ludibriar uma criança por muito tempo: as crianças têm intacto aquele dom da justiça justa e da Verdade inconteste que os adultos, de uma forma geral, já esqueceram ou perderam há muito, pelas contingências da própria Vida. E são donos e senhores de uma imaginação livre e poderosíssima, indagadora, em permanente questionamento de tudo, uma vez que para a criança, o absurdo e o real maravilhoso são as suas mais fiéis fontes de alimento especulativo de aprendizagem e de construção da sua personalidade e carácter. Nada há de mais sábio e desconcertante que a voz perguntadora de uma criança. 
Resta-me acrescentar, que continuo a ser, do meu País, um exilado, exilado na minha própria língua. E agradecer a vossa presença, e desejar-vos uma sessão o mais prazerosa possível, pois que é para criar prazer, ainda que seja um prazer estético que possa inquietar e colocar questões, que eu escrevo. De resto, só posso conceber a Poesia como um acto de inquietante prazer, onde uma frágil raiz de sabedoria se insculpa na pele do leitor, que é, em última instância, o verdadeiro e derradeiro Autor, acrescentando ao poema o que ao poema falta: a sua legítima inteligência sensível.
Muito, muito obrigado pelo vosso imenso carinho!


ZETHO CUNHA GONÇALVES
Lisboa, 1 de Setembro de 2019










16/06/2014

O sortilégio verbal de Zetho

Zetho Cunha Gonçalves
Fotografia do seu perfil no Facebook, 27.01.2011

Quem frequentou recentemente a 84.ª Feira do Livro de Lisboa [29 de maio – 15 de junho], pôde cumprimentar e mesmo conversar francamente com o poeta Zetho Gonçalves. O escritor angolano, a viver em Portugal, marcou presença no pavilhão da Livraria Letra Livre, autografando o mais fresco dos seus livros – Notícia do maior escândalo erótico-social do século xx em Portugal –, a par de Terra: Sortilégios, Rio sem Margem: Livro II, estes dois livros com chancela da NósSomos, editora motivada na divulgação da poesia angolana.
Afável, iluminado por um sorriso jovial e o lume do cigarro – lembro também o cabelo cascatando em ondas, dominadas mas livres – o escritor acolheu-nos com toda a disponibilidade e interesse, abonado de ideias, histórias, projetos. O que publicamos aqui não é a conversa informal ocorrida nesse encontro, mas um esboço da vida e obra do escritor.

A VIDA

Zetho Cunha Gonçalves, nasceu na cidade do Huambo, em Angola, a 1 de Julho de 1960. Passou a infância e adolescência no Cutato (pequena povoação na Província do Cuando-Cubango, a que chama a sua “pátria inaugural da Poesia”).
Estudou no Colégio Alexandre Herculano, na cidade do Huambo, e Agronomia na extinta Escola de Regentes Agrícolas de Santarém, em Portugal.
Poeta, autor de literatura infanto-juvenil, antologiador, tradutor de poesia e organizador de edições literárias, exerceu várias profissões: de tratador de gado numa fazenda a empregado de escritório, de vendedor de publicidade e publicitário a diretor adjunto de um jornal de turismo falido, de empregado de mesa em restaurantes e pesquisador de notícias para uma empresa da especialidade a intermediário e conselheiro de bibliófilos.


Publicou os seguintes livros de poesia: Exercício de escrita (1979), Coração limite/Sobre a sombra do corpo (1981), A construção do prazer/Reportagem do silêncio (1981), O incêndio do fogo, (1983), O outro mapa da Terra (1997), O voo da serpente (19989, A palavra exuberante (2004), Sortilégios da Terra: Canto de narração e exemplo (2007), Rio sem margem: Poesia da tradição oral (2011), Terra: Sortilégios (2013), Rio sem margem. Poesia da tradição oral: Livro II (2013), Noite vertical (2017).

De literatura infantil e juvenil publicou: Debaixo do arco-íris não passa ninguém (poemas, 2006), A caçada real (teatro, 2007); Brincando, brincando, não tem macaco troglodita (poemas, 2011), A vassoura do ar encantado (estória, 2012), Dima, o passarinho que criou o mundo: mitos, contos e lendas dos países de língua portuguesa (antologia, 2013) e A galinha-de-Angola que punha os ovos no telhado (poemas, no prelo).

Traduziu poesia de Antonio Carvajal, Vicente Huidobro, William Carlos Williams, Joan Brossa, Rainer Maria Rilke e Friedrich Hölderlin e organizou edições de obras de Mário Cesariny, Luís Pignatelli, António José Forte, Natália Correia, Eça de Queiroz (em colaboração com Eduardo Coelho), Fernando Pessoa, Luís Carlos Patraquim e Manuel de Castro.
Organizou as seguintes antologias: 35 Poemas para 35 anos de independência (2010), Antologia do conto africano de língua portuguesa (ed. brasileira, no prelo), Antologia do conto angolano (em colab. com João Melo, no prelo), Antologia da poesia angolana: 1849-2009 (em col. com Rosário Fernandes, no prelo), Poesia africana de língua portuguesa (em col. com Luís Carlos Patraquim, a publicar), Os 47 poemas de vida de Fernando Pessoa (a publicar).
É membro da Comissão Executiva da revista eletrónica Mulemba – Revista de Estudos de Literaturas Africanas de Língua Portuguesa, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e tem colaboração dispersa por jornais e revistas de Angola, Brasil, Espanha, Itália, Moçambique e Portugal. Tem participado em vários colóquios e encontros literários em Portugal, Brasil, Itália e Cuba.
Está representado em diversas antologias coletivas e as suas obras estão traduzidas para alemão, espanhol, hebraico e italiano.

Vive atualmente em Lisboa, dedicando-se inteiramente à literatura.

A OBRA


1. Poesia

  1. Exercício de escrita (1979)
  2. Coração limite/Sobre a sombra do corpo (1981)
  3. A construção do prazer/Reportagem do silêncio (1981)
  4. O incêndio do fogo (1983)
  5. O outro mapa da Terra (1997, ed. manuscrita, exemplar único)
  6. O voo da serpente (1998, ed. manuscrita, 12 exemplares, com quatro desenhos do autor)
  7. A palavra exuberante. Lisboa: Parceria A. M. Pereira, 2004.
  8. Sortilégios da Terra: Canto de narração e exemplo. Fot. João Prates. Lisboa: Bonecos Rebeldes, 2007.
  9. Rio sem margem: Poesia da tradição oral [livro I]. V. N. de Cerveira / Luanda: NósSomos, 2011. / Ed. brasileira: Rio sem margem. Poesia da tradição oral africana. Il. Thais Beltrame. São Paulo: Ed. Melhoramentos, 2013. 
  10. Rio sem margem: Poesia da tradição oral. Livro II. V. N. de Gaia / Luanda: NósSomos, 2013.
  11. Terra: sortilégios. Vila Nova de Cerveira / Luanda: NósSomos, 2013. 
  12. Noite vertical. S.l.: Língua Morta, 2017.

2. Literatura infanto-juvenil (poesia, teatro e fição)

Debaixo do arco-íris não passa ninguém (poemas). Il. Roberto Chichorro. Rio de Janeiro: Língua Geral, 2006. / ed. brasileira: Rio de Janeiro: Língua Geral 2012?.

A caçada real (teatro para crianças). Il. Roberto Chichorro. Lisboa: Bonecos Rebeldes, 2007 / São Paulo: Matrix, 2011 / Maputo: Escola Portuguesa de Moçambique – Centro de Ensino e Língua Portuguesa, 2013.
    Brincando, brincando, não tem macaco troglodita (poemas). Il. Roberto Chichorro. São Paulo: Matrix, 2011.

    A vassoura do ar encantado (estória). Il. Andrea Ebert. Rio de Janeiro: Pallas Ed., 2012.
    Dima, o passarinho que criou o mundo: Mitos, contos e lendas dos países de língua portuguesa (antologia). Il. Angelo Abu. São Paulo: Ed. Melhoramentos, 2013.
    A galinha-de-Angola que punha os ovos no telhado (poemas). Il. Mariana Fontes. Rio de Janeiro: Língua Geral, (no prelo).


    3. Tradução

    1. Antonio Carvajal, O desejo é uma água [ed. bilingue]. Il. Antonio Jimenez. Lisboa: Edições Prates, 1998.

    2. Vicente Huidobro, Altazor: Canto II, 2012.

    3. William Carlos Williams, Poemas, 2012.

    4. Joan Bross, 20 Poemas, 2012.

    5. Rainer Maria Rilke, 15 poemas, 2012.

    6. Friedrich Hölderlin, Sete poemas, 2012.





      4. Edição literária

      • CESARINY, Mário, Corpo visível. Il. Pedro Oom. Lisboa: Prates, 1996. 
      • PIGNATELLI, Luís, Obra poética. Lisboa: & etc., 1999. 
      • FORTE, António José, Uma rosa na tromba de um elefante, [1.ª ed., Lisboa: Afrodite, 1971], des. Aldina, 2.ª ed., Lisboa: Parceria A. M. Pereira, 2001. 
      • FORTE, António José, Uma faca nos dentes, [1.º ed., Lisboa: & Etc, 1983], 2.ª ed. aumentada – “Obra Poética Completa”, pref. Herberto Helder; des. e fotografias Aldina, Lisboa: Parceria A. M. Pereira, 2003. 

      • CORREIA, Natália, Breve história da mulher e outros escritos, pref. Maria Teresa Horta. Lisboa: Parceria A. M. Pereira, 2003 / 2.ª ed., 2003. 
      • CORREIA, Natália, A estrela de cada um. Lisboa: Parceria A. M. Pereira, 2004. 
      • SOUSA, Antónia de; Bruno da Ponte; Dórdio Guimarães; e Edite Soeiro, Entrevistas a Natália Correia. Lisboa: Parceria A. M. Pereira, 2004. 
      • CORREIA, Natália, Contos Inéditos e crónicas de viagem. Lisboa: Parceria A. M. Pereira, 2005. 

      • QUEIROZ, Eça de; Ramalho Ortigão, Os brasileiros, em col. com Eduardo Coelho. Rio de Janeiro: Língua Geral, 2008. 
      • PESSOA, Fernando, Contos, fábulas & outras ficções, 2008 / Trad. italiana de Virgina Caporalli, sob o título La vita non basta. Racconti, favole e altre prose fantastiche. Roma: Vertigo, 2010. 
      • PATRAQUIM, Luís Carlos, Impia scripta [crónicas e ensaios]. Maputo: Alcance Ed., 2011. 
      • PESSOA, Fernando, Contos completos: fábulas & crónicas decorativas. Lisboa: Antígona, 2012 / 2.ª ed., 2013./ Ed. brasileira sob o título Um grande português. Contos, fábulas & outras histórias. Rio de Janeiro: Língua Geral, 2012. 
      • PATRAQUIM, Luís Carlos, Manual para incendiários e outras crónicas. Lisboa: Antígona, 2012. 
      • CASTRO, Manuel de, Bonsoir, Madame, Lisboa: Língua Morte / Alexandria, 2013. 
      • PESSOA, Fernando et al., Notícia do maior escândalo erótico-social do século XX em Portugal, org., pref. e notas de Zetho Cunha Gonçalves Lisboa: Livraria Letra Livre, 2014. PATRAQUIM, Luís Carlos, O senhor Freud nunca foi a África, de Luís Carlos Patraquim (no prelo).

      5. Organização de antologias

      1. 35 Poemas para 35 anos de independência. Luanda, 2010.
      2. Antologia do conto africano de língua portuguesa [ed. brasileira], no prelo.
      3. Antologia do conto angolano (em col. com João Melo), no prelo.
      4. Antologia da poesia angolana: 1849-2009 (em col. com Rosário Fernandes), no prelo.
      5. Poesia africana de língua portuguesa (em col. com Luís Carlos Patraquim), a publicar.
      6. Os 47 poemas de vida de Fernando Pessoa, a publicar.

      6. Ensaio, crítica, crónica...

      1. Posfácio a: Estórias de coisas / José Alberto Marques. Lisboa: Bonecos Rebeldes, 2008.
      2. «Prefácio a uma Antologia do Conto Angolano» [Antologia do Conto Angolano, coautoria com João Melo, Alfragide: Caminho, data?], in Buala – portal online, 06.09.2010.
      3. «Mukanda ao Ruy Duarte de Carvalho», artigo, in Mulemba – Revista de Estudos de Literaturas Africanas de Língua Portuguesa [online], n.º 3, Rio de Janeiro: Universidade Federal, dez. 2010; publicado antes em Buala – portal online, 25.08.2010.
      4. «A arte da felicidade é uma soma de cores noctívagas – sobre Roberto Chichorro», in Buala – portal online, 20.11.2010.
      5. «zefanias plubius sforza, um moçambicano com qualidades» [sobre romance de Luís Carlos Patraquim], artigo, in Mulemba – Revista de Estudos de Literaturas Africanas de Língua Portuguesa [online], n.º 3, Rio de Janeiro: Universidade Federal, dez. 2010.
      6. «Rio, Tambula Muxima I», crónica, in Cultura: Jornal angolano de artes e letras [online], 09.06.2012. 
      7. «Rio, Tambula Muxima II», crónica, in Cultura: Jornal angolano de artes e letras [online], 24.06.2012.


      7. Representação em antologias coletivas e obras individuais

      1. Vozes poéticas da lusofonia / Luís Carlos Patraquim, 1999.
      2. Sonhos d’agora e também d’outros tempos / Roberto Chichorro, 2009.
      3. Divina música: Antologia de poesia sobre música / Amadeu Baptista, 2009.
      4. «A voz da poesia que lê», in Pensando África. Literatura, arte, cultura e ensaio, org. Carmen Lucia Tindó Secco, Maria Teresa Salgado e Silvio Renato Jorge, 2010.
      5. Coletânea Prémio OFF FLIP de Literatura 2009 – org. de Ovídio Poli Junior, 2010.
      6. Histórias pintadas de azul / Roberto Chichorro, 2010.
      7. Hinc Illae Lacrimae! – Studi in memoria di Carmen Maria Radulet, 2 vols., org. Gaetano Platania, Cristina Rosa e Mariagrazia Russo, 2011.
      8. Conversas de homens no conto angolano. Breve antologia (1980-2010) / António Quino, 2011.
      9. Balada dos homens que sonham. Breve antologia do conto angolano / António Quino, 2012.
      10. Depois do silêncio: Escritos sobre Bartolomeu Campos de Queirós, org. Lucilia Soares & Ninfa Parreiras, 2013. 
      11. Entre o choro e o canto. Contos de guerra angolanos / João Melo, a publicar.

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