01/11/2026

Camilo Pessanha, a bordo de um navio, sem destino


P. S. - "Sabe o que eu agora desejaria? 
Não chegar ao meu sítio nunca... Ir assim, a bordo de um navio, sem destino."
Camilo Pessanha
Carta para Carlos Amaro, jan. 1909.





  • Portugal. Biblioteca Nacional (2009) Camilo Pessanha. - Sítio web. - Biblioteca Nacional de Portugal, Arquivo de Cultura Portuguesa Contemporânea, Direcção de Serviços de Sistemas de Informação ; coord. Fátima Lopes ; apresent. e cronologia Daniel Pires ; inventariação Júlia Ordorica; concepção e design gráfico Cecília Matos. - Lisboa : Biblioteca Nacional de Portugal. | https://purl.pt/14369
  • Portugal. Biblioteca Nacional - Espólio de Camilo Pessanha. 1887. - Esp. N1. - 4 cx. (184 doc.); 35x30x10 cm. - "Colecção formada por: manuscritos do autor (poesia, duas traduções e dois textos em prosa); cartas enviadas; impressos; recortes de imprensa; fotografias; manuscritos, cartas, impressos e recortes de imprensa de terceiros" (Texto na BNP).
  • Pires, Daniel e Júlia Ordorica (2008) Espólio de Camilo Pessanha (Esp. N1): inventário. - Org. BNP; apresent. Daniel Pires; inventário Júlia Ordorica. - Lisboa: BNP. - O inventário inclui a reprodução fac-similada do manuscrito de Clepsidra. 


"O espólio de Camilo Pessanha dispersou-se, em 1926, na sequência do seu falecimento. O presente núcleo documental pertenceu à família Castro Osório, que se relacionou amplamente com o poeta. É constituído por 189 documentos e foi adquirido, em 1979, pela BNP. 
Mais tarde, integraram-se duas colecções de fotocópias que se prendem com o Caderno Poético de Camilo Pessanha, surpreendentemente revelado, corria o ano de 1966, pelas vicissitudes e pelas ondas de choque da «Revolução Cultural» em Macau. Contém reprodução fac-similada do manuscrito de Clepsidra."

Bibliografia ativa - Manuscritos

  • Bueno, Alexei (2011) Um manuscrito inédito de Camilo Pessanha. Rio de Janeiro: Lacre. - [26] p. ; 28 cm.
  • [Poema final] / Camillo Pessanha. - Manuscrito, autógr. assinado. - 1 f. ; 27 x 21 cm. "Variante do poema com o mesmo título. Com a seguinte nota no final :«Ultima pagina de um livro em tempos delineado». - Na BNP: Esp. A/5728.
  • Miguel, António Dias (1954) Algumas páginas desconhecidas de Camilo Pessanha, Revista da Faculdade de Letras de Lisboa, Série 2, tomo 20, n.º 1 (1954). Lisboa: Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, 22 p. ; 24 cm. - Espólio Camilo Pessanha : BNP: CFF4-Esp. N1/165.
  • Violoncélo [ Manuscrito] / Camillo Pessanha. 1900.

Bibliografia ativa - Obra impressa


2023
  • China e Macau / Camilo Pessanha. - Ed., estudos e notas Duarte Drumond Braga. 1a ed. Lisboa : Livros de Bordo, 2023.
1996
  • Sonetos / Camilo Pessanha. Mem Martins: Europa-América, 1996.
1993
  • China : estudos e traduções / Camilo Pessanha ; pref. Daniel Pires. 2a ed. Lisboa : Vega, 1993. 
1992
  • Camilo Pessanha prosador e tradutor / org., pref. e notas de Daniel Pires. Macau : Inst. Português do Oriente : Inst. Cultural, 1992.
 1986
  • Caderno poético de Camilo Pessanha. Nota introd. Manuel Coelho da Silva; [pref.] José Augusto Seabra. Macau: Direcção dos Serviços de Educação e Cultura : Biblioteca Nacional, 1986.
1988
  • Contos, crónicas, cartas escolhidas de temática chinesa / Camilo Pessanha. Introd. biográfica e crítica, org. e notas de António Quadros. Mem Martins: Europa-América, 1988.
1976
  • Floriram por engano rosas bravas / Camilo Pessanha; pref. Miguel Serras Pereira ; il. Adolfo Pereira, Augusto Serro, Margarida Jacinto. Macau : [s.n., 1976.
1972
  • Portugal: Camilo Pessanha... [et al.] / compil. by Helder Macedo; ed. Daniel Weissbort. London : Daniel Weissbort, 1972.
1965
  • Camilo Pessanha: poesia e prosa / [compil.] Bernardo Vidigal. Rio de Janeiro: Livraria Agir, 1965.
1960
  • Poema / Camilo Pessanha. 1960.
1952
  • Poetas julgam os poetas: uma critica de Camilo Pessanha sobre Alberto Osório de Castro / Camillo Pessanha. 1952.
1944
  • China : estudos e traduções / Camilo Pessanha. Lisboa : Agência Geral das Colónias, 1944.
1934
  • Soneto / Camilo Pessanha. 1934.

1926
  • Venus; Soneto / Camilo Pessanha. 1926.

1924 - Macau e a gruta de Camões

  • Macau e a gruta de Camões / C. P.. 1924.
  • Camões nas paragens orientais /Camilo Pessanha e Venceslau de Morais. S.l., s.n., 1951.
  • Macau e a gruta de Camões / Camillo Pessanha. 1952.
  • Macau e a gruta de Camões / [Camilo Pessanha]. Macau: Imp. Nacional, 1972.

1920 - Clepsydra

  • Clepsydra / poêmas de Camillo Pessanha. Lisboa: Lusitania, 1920.
  • Clépsidra : poemas / Camilo Pessanha. Lisboa: Ática, 1945.
  • Clépsidra : poemas / Camilo Pessanha. Lisboa: Ática, 1956.
  • Clepsidra e outros poemas / Camilo Pessanha. Lisboa: Ática, 1969.
  • Clepsidra e outros poemas / Camilo Pessanha. 5a ed., Lisboa: Ática, 1973.
  • Clepsidra e outros poemas / Camilo Pessanha. Org. e algumas variantes por Joäo Castro Osório. 6a ed. Lisboa: ática, 1983.
  • Clepsidra e outros poemas / Camilo Pessanha. Org. e algumas variantes por João de Castro Osório. 7a ed. Lisboa: Ática, 1992.
  • Clepsidra e outros poemas / Camilo Pessanha. Org. João de Castro Osório. 8a ed. Lisboa: Ática, 1997.
  • Clepsidra e outros poemas / de Camilo Pessanha. Org. João de Castro Osório. 9a ed. Lisboa: Nova Ática, 2003.
  • Clepsidra / Camilo Pesanha. - Apresent. crítica, selecção, notas e sugestões para análise literária de Tereza Coelho Lopes. Lisboa: Seara Nova, 1979. | 2.ª ed., 1983. | 3.ª ed., 1992.
  • Clépsidra e outros poemas / Camilo Pessanha. Porto : Anagrama, 1983.
  • Clépsidra / Camilo Pessanha. Lisboa : Marujo, 1986.
  • Clepsidra / Camilo Pessanha ; introd. Isabel Pascoal. Lisboa: Ulisseia, 1987. | 2.ª ed., 1996.
  • Clepsidra e outros poemas / Camilo Pessanha. Lisboa : Círculo de Leitores, 1987.
  • "Clepsidra" e poemas dispersos / Camilo Pessanha. Introd. biográfica e crítica, org. e notas de António Quadros. Mem Martins: Europa-América, 1988. | 2.ª ed., 1999. | [Ver: Clepsidra e poesias dispersas / Camilo Pessanha. Mem Martins : Europa-América, 1997.]
  • Clepsidra / Camilo Pessanha. Coimbra: A Mar Arte, 1994.
  • Clepsydra / poemas de Camilo Pessanha. Estabelecimento de texto, introd. crítica, notas e coment. Paulo Franchetti. Campinas: Unicamp, 1994.
  • Clepsydra / Camilo Pessanha. Estabelecimento de texto, introd. crítica, notas e comentários por Paulo Franchetti. Lisboa: Relógio d'Água, 1995.
  • Clepsidra / Camilo Pessanha. 1a ed. Lisboa: Presença, 1997.
  • Clepsidra e outros poemas / Camilo Pessanha. - Ed. crítica, fixação do texto, introd. e notas Barbara Spaggiari. Porto: Lello, 1997.
  • Clepsydra / Camilo Pessanha; ensaio de edição de Gustavo Rubim; des. Cruzeiro Seixas. Lisboa: Colóquio Letras, 2000.
  • Clepsidra / Camilo Pessanha. Coimbra Castelo Branco : Alma Azul, 2001. | 2.ª ed., 2002. | 2007. | | Clepsidra / Camilo Pessanha; antecedido de Camilo Pessanha, o Mestre / Eugénio de Andrade. 1a ed. [S.l.] : Alma Azul, 2023.
  • Amor é poesia / Camilo Pessanha... [et al.]. Coimbra: Alma Azul, 2008.
  • Clepsydra / poemas de Camilo Pessanha. Posf. e fixação do texto António Barahona. Lisboa : Assírio & Alvim, 2003.
  • Clepsidra e outros poemas / Camilo Pessanha ; pref. e fixação do texto Daniel Pires ; il. Rui Campos Matos. [Lisboa]: Livros Horizonte, 2006.
  • Clepsydra / Camillo Pessanha. Porto: Ecopy, 2009.
  • Clepsydra: a poesia de Camilo Pessanha. - Ed. Paulo Franchetti ; pref. e introd. Helena Carvalhão Buesco ; il. André Carrilho. 1a ed. Lisboa : Shantarin, 2022.
  • Clepsidra / Camilo Pessanha. 1a ed. Porto : Book Cover, 2022.
  • Clepsydra / Camilo Pessanha. sel. de poemas José Vieira. Alcobaça: Carrack, 2023.
  • Clepsidra e outros poemas de Camilo Pessanha / ed. e introd. José Rui Teixeira; coord. científica Cátedra Poesia e Transcendência Sophia de Mello Breyner Andresen. Porto: Officium Lectionis, 2026. 

Traduções:

Francês:
  • Clepsydre / Camilo Pessanha / trad. Michel Chandeigne, Ariane Witkowski; pref. Leyla Perrone-Moisés. Paris : La Différence, 1991.
  • Clepsydre et autres poémes / Camilo Pessanha ; trad. par Christine Pâris Montech. Selgues : Le Lézard, 1991.
Italiano:
  • Clepsidra / Camilo Pessanha; a cura di Barbara Spaggiari. Bari: Adriatica, 1984.
  • Clessidra / Camilo Pessanha; a cura di Barbara Spaggiari. Torino: Giulio Einaudi, 2000.
  • Clepsydra: la poesia di Camilo Pessanha / ed. Paulo Franchetti; introd. Helena Carvalhão Buesco ; trad. Serena Cacchioli ; il. André Carrilho. 1a ed. Lisboa: Shantarin, 2022.
Espanhol:
  • Clepsidra / Camilo Pessanha ; trad. y present. Amador Palacios. Madrid : Hiperión, 1995.
Chinês (alfabeto chinês):
  • Clepsidra / Camilo Pessanha ; trad. Chen Yongyi ; apresent. crítica Daniel Pires. Macau : Instituto Cultural: Montanha das Flores, 1997.
Inglês:
  • Clepsydra, and other poems / Camilo Pessanha. - Transl. and annotated by Adam Mahler; introd. K. David Jackson. Dartmouth: Tagus Press, 2022. 
Russo (alfabeto cirílico):
  • [Clepsidra: todos os poemas / Camilo Pessanha. - Trad. Irina Feshchenko-Skvortsova ; il. André Carrilho ; ed. compil. e pref. Paulo Franchetti]. [1a ed.]. S.l.: Dilúvio, 2025.




1919
  • Desorientação (Agravo crime interposto para a Relação de Goa) / Camillo Pessanha. Macau : Tip. Mercantil N. T. Fernandes e Filhos, 1919.
1916
  • Leituras chinêsas / trad. Camilo Pessanha. 1916.
1915
  • Catalogo da collecção de arte chineza offerecida ao Museu de Arte Nacional / Camillo Pessanha. Macau : Impr. Nacional, 1915.

1914 - Elegias chinesas

  • Elegias chinesas / trad. Camillo Pessanha, 1914.
  • Oito elegias chinesas / trad. e notas Camillo Pessanha. Lisboa: Descobrimento, 1931.
  • Poesia chinesa / Camillo Pessanha. 1952.
  • As elegias chinesas / trad. poética de Camilo Pessanha; pintura e org. Pedro Barreiros. Lisboa: Gradiva, 1999.

1912
  • Esboço critico da civilisação chineza / por J. Antonio Filippe de Moraes Palha ; pref. Camillo Pessanha. Macau : Typ. Mercantil de N. T. Fernandes e Filhos, 1912
1910
  • Estetica chineza : conferencia / Camillo Pessanha, 1910.
  • "Alberto Osório de Castro ‑ Flores de Coral", A Verdade, n.º 72 (31 mar. 1910).
1898
  • San Gabriel / Camillo Pessanha. 1898.
1897
  • Paisagens de inverno / Camillo Pessanha. 1897.
1896
  • O dr. Cassiano / Camillo Pessanha. 1896.
  • Quando? / Camillo Pessanha. 1896.
1888
  • "Crónica da Alta [Versos da Mocidade, de António Fogaça]", in A Crítica, 1888.


CORRESPONDÊNCIA DE Camilo Pessanha



"A apetência de Camilo Pessanha (1867-1926) pela escrita era escassa. Com efeito, a sua obra poética circunscreve-se a cinquenta e seis composições e a sua prosa – crónicas, contos, crítica literária, ensaio, escritos sobre a civilização chinesa, textos de carácter jurídico – está coligida num só volume.

Igualmente breve é a sua correspondência, agora reunida. Dela constam dezanove cartas, que se encontravam parcial ou integralmente inéditas, e cinquenta e nove, que estão disseminadas por livros esgotados e por periódicos de difícil acesso. Considerando a exiguidade da correspondência do escritor, incorporámos neste volume todas as cartas que, neste momento, são do domínio público.

Tendo em mente a relevância literária, cultural e cívica de Camilo Pessanha, decidimos revelar outros textos desconhecidos que, de forma direta ou indireta, a ele estão vinculados. [...] Coligimos ainda as dedicatórias de Camilo Pessanha que acompanham os seus livros e fotografias, cerca de metade das quais se encontrava inédita. Justifica-se, segundo julgamos, a sua inclusão neste volume, visto que algumas demonstram uma profunda capacidade introspetiva e apresentam detalhes assinaláveis para a compreensão da sua psicologia e obra."
Da descrição da obra

2012

  • Correspondência, dedicatórias e outros textos / Camilo Pessanha. - Org., pref., cronologia e notas Daniel Pires ; rev. A. Miguel Saraiva. Lisboa: BNP; Campinas: Editora da Unicamp. 2012. - 333 p. ; 24 cm.

2009

  • Queirós, Luís Miguel (2009) Dez cartas de um Pessanha na meia-idade, Público, 29.09.2009. - Cartas do poeta ao seu amigo, dramaturgo e político Carlos Amaro (1879-1946). - "toda a correspondência de Pessanha para Carlos Amaro se situa entre fevereiro de 1907, quando o poeta tinha 39 anos, e dezembro de 1912, quando já perfizera 45."

2000

  • Cartas inéditas de Camilo Pessanha e Ana de Castro Osório, Colóquio Letras, Lisboa, n.º 155-156 (Jan.-Jun. 2000), número com org. e apres. de Gustavo Rubim, desenhos de Cuzeiro Seixas. - Extratextos: “Clepsydra” de Camilo Pessanha. - V. págs.

1988

  • Contos, crónicas, cartas escolhidas e textos de temática chinesa / Camilo Pessanha. - Introd. biográfica e críitica, org. e notas de António Quadros. Mem Martins: Europa-AmÂerica. 1988. - Col. "Obras de Camilo Pessanha"; 197 p. ; 18 cm.

1984

  • Cartas: a Alberto Osório de Castro, João Baptista de Castro e Ana de Castro Osório / Camilo Pessanha. Recolha, transcr.., introd. e notas de Maria José de Lancastre. Lisboa: INCM, 1984. - 131, [6] p. ; 24 cm.

1955

  • Miguel, António Dias (1955) Camilo Pessanha: elementos para o estudo da sua biografia e da sua obra. Lisboa: Álvaro Pinto. - Apresenta cartas inéditas de Pessanha. - V. ms., 1954.

1915

  • [A conferência do sr. dr. C. Pessanha]. 1915. - ["Recorte cortado em cinco. Em mau estado de conservação atingindo o texto"] - Refere-se à conferência de Camilo Pessanha sobre literatura chinesa. - "Tem junto 1 f. com apontamentos de João de Castro Osório". - Espólio Camilo Pessanha : BNP: CFF4-Esp. N1/163.

1908

  • [Cartas], 1908-1917, Leça [da Palmeira], Macau [a Carlos Amaro] [ Manuscritos] / Camillo Pessanha. 1908. - 9 doc. ; 22 x 27 cm ou menos. - Autógr. assinados. "Algumas cartas foram escritas a bordo em papel timbrado de «Stoomvaart-Maatschappij "Nederland" S. S. Vondel.» e «P&O, S. S.». - Na BNP: Esp. A/5717-5725.

1905

  • Uma carta inédita; Desejos / Camillo Pessanha. 1967. - Carta datada de Lisboa, 20.06.1905, dirigida a João Pereira Vasco, seu colega no professorado de Macau. - Inclui o poema «Desejos», publicado também em: Clepsidra e outros poemas (Lisboa: Ática, 1969). - [Recorte], BNP: PTBN: CFF4-Esp. N1/7



CORRESPONDÊNCIA DE "TERCEIROS"


Alfredo Guisado 
  • Camilo Pessanha: alvitra-se a edição definitiva da obra do grande poeta. 1934. - [Recorte], notícia em forma de carta de Alfredo Guisado ao diretor do jornal Diário de Notícias (Lisboa, 23.07.1934) , Eduardo Schwalbach. - Espólio Camilo Pessanha : BNP: CFF4-Esp. N1/155.
Ana de Castro Osório (1872-1935)
  • [Carta a] Alberto [Osório de Castro], [s.l.] / Ana [de Castro Osório]. S.l., s.d. [1916?]. - "Refere-se, muito provavelmente, à primeira doação de Camilo Pessanha de parte da sua coleção de arte chinesa, ao Museu Nacional de Arte Antiga Lisboa. A coleção, doada em julho de 1915, terá chegado ao Museu em 1916." | Ms. 3521, da BGUC, Coimbra.
Instituto Histórico do Minho,
  • [Agradecimento a Ana de Castro Osório pela oferta de Clepsidra] / Instituto Histórico do Minho, 1920.  [Recorte]. - Espólio Camilo Pessanha : BNP: CFF4-Esp. N1/152.

Joaquim Manso
  • O poeta do Oriente : Camilo Pessanha não está inédito / José Osorio de Oliveira. - [Recorte], documento em duplicado - Carta a Joaquim Manso. - Espólio Camilo Pessanha: BNp: CFF4-Esp. N1/154.

José Osório de Oliveira (1900-1964)
  • Camilo Pessanha / Osorio de Oliveira. 1934. - [Recorte], carta dirigida ao diretor do jornal Diário de Notícias (Lisboa, 24.07.1934) a propósito da obra de Camilo Pessanha. - Espólio Camilo Pessanha : BNP: CFF4-Esp. N1/156.




 ICONOGRAFIA : a Vida  











Camilo Pessanha em traje de mandarim


Referências:

  • [Fotografias de Camilo Pessanha]. 1904 ["Data da dedicatória"]. - 2 fot. ; 23 x 17 cm ou menos. - "A fotografia original é de Macau, contém no verso o poema «De sob o cômoro quadrangular» (1.o v.o), datado no final «Macau, 1904, Natal» e na frente está dedicada a Luiz (?) Gonçalves Forte e com a mesma data. A reprodução tem gravado «Neves Guimarães - Porto», contendo no verso um carimbo de «Fotografia Guedes -Porto». Está publicada em A imagem e o verbo : fotobiografia de Camilo Pessanha por Daniel Pires, na p. 79 com a legenda : «o poeta por volta de 1897».





 ICONOGRAFIA : receção nas Artes 




Camilo Pessanha, 9.12.2016?
por Vhils




 Camilo Pessanha, 1975 
por João Abel Manta










REFERÊNCIAS


AA.VV

  • Camilo Pessanha: 70 anos de Clepsidra, Revista de Cultura, Macau, 4 (11-12) Jul.-Dez. 1990, 133-135.
  • 70.º Aniversário da publicação da Clepsidra de Camilo Pessanha: exposição bibliográfica itinerante em Portugal, 1991. - Pesq. bibliog., coord. e rev. Daniel Pires. - Macau: Instituto Português do Oriente : Fundação Oriente : Missão de Macau, 1991. - 60 p. : il. ; 25 cm.

B

  • BARREIROS, Leopoldo Danilo (1961) O Testamentode Camilo Pessanha. Lisboa.
  • BARREIROS, Leopoldo Danilo (1995) Camilo Pessanha, sinólogo, Revista Cultura, série 2, n.° 25, Macau, 197-203.
  • Borregana, António Afonso (2004) O texto em análise: ensino secundário: Cesário Verde, António Nobre, Guerra Junqueiro, Camilo Pessanha, Teixeira de Pascoaes. 5a ed., 2a tir. Lisboa: Texto, 2004.

C

  • Camilo, João () A Clepsidra de Camilo Pessanha, Revista Persona, n.º 10.
  • Lopes, Tereza Coelho (1979) Clepsidra de Camilo Pessanha: textos escolhidos. - Apresentação crítica, seleção e sugestões para análise literária de -. Lisboa: Seara Nova/Editorial Comunicação. - Excerto 1.

D

  • Morreu em Macau o grande poeta Camilo Pessanha, Diário de Lisboa, Lisboa, mar. 1926. - "Recorte, cortado em dois, colado em folha. Notas mss. de João de Castro Osório". - BNP: CFF4-Esp. N1/148.

F

  • Paulo Franchetti, Paulo (2007) O essencial sobre Camilo Pessanha. - Nº 96 da col. - Lisboa: INCM. - Amostra de algumas págs.

G

  • GUEDES, João (?) Pessanha, Camilo, 1867-1926, in Memórias de Macau [online], consultado a 13.02.2024.

J

  • Jardim, Maria Antónia (2000) Camilo Pessanha, um educador épico-ético: Clepsidra Selo no Envelope da História. Macau.

L

  • Lopes, Óscar () Camilo Pessanha, in Entre Fialho e Nemésio, vol. I.

M

  • Madeira, José Manuel Rosa (2011) Pessanha, Camilo, 1867-1926, in Dicionário Temático de Macau, vol. IV, Macau: U. Macau, 1164-1167. - V. versão online.
  • Martins, Fernando Cabral (1988) "La Clepsydre à la goutte obscure pleurée", Ariane - revue d'études littéraires françaises. - Lisbonne, nº 6 (1988), p. 101-107.
  • Miguel, António Dias (1955) Camilo Pessanha: elementos para o estudo da sua biografia e da sua obra. Lisboa. - Apresenta cartas inéditas de Pessanha.
  • Miguel, António Dias (1955) Algumas páginas desconhecidas de Camilo Pessanha, Revista da Faculdade de Letras de Lisboa, Série 2, tomo 20, n.º 1 (1954). Lisboa: Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, 22 p. ; 24 cm. - Espólio Camilo Pessanha : BNP: CFF4-Esp. N1/165.
    • Monteiro, Ofélia Paiva (1969) O universo poético de Camilo Pessanha, Arquivo Coimbrão, vol. XXIV.

    O

    • Oliveira, Celina Veiga de (1993) Camilo Pessanha: o Jurista e o Homem. Macau.
    • Oliveira, Celina Veiga de (1990) Camilo Pessanha: o Poeta, o Jurista e o Homem, in Revista Cultura, n.° 9, Macau, 91-103.

    P

    • Pires, Daniel (1990) Homenagem a Camilo Pessanha. Org., pref. e notas de Daniel Pires. Macau: IPOR; Instituto Cultural.
    • Pires, Daniel (2005) A imagem e o verbo : fotobiografia de Camilo Pessanha. Macau: Instituto Cultural da R.A.E. de Macau / Instituto do Oriente.

    Q

    • Queirós, Luís Miguel (2009) Dez cartas de um Pessanha na meia-idade. - ...

    R

    • Rego, José de Carvalho e (1994) ""...", in Figuras de Outros Tempos. Macau.
    • Régio, José (1976) Pequena História da Poesia Portuguesa . Porto: Brasília.
    • Rubim, Gustavo (1993) Experiência da Alucinação. Lisboa: Caminho. - Publicação em livro da dissertação de mestrado em Estudos Literários Comparados, apresentada à FCSH da U.NOVa em 1989.
    • Rubim, Gustavo (1998) A inscrição espectral: poética do vestígio em Camilo Pessanha. -Tese dout. em Estudos Portugueses, Lisboa: UNL.

    S

    • Seabra José Augusto (190) Camilo Pessanha e a Miragem da Escrita, Revista Cultura, Macau, n°s. 11/12, 4, n.º 11-12 (jul.-dez. 1990), 136-142.
    • Seabra, José Augusto (1990) Camilo Pessanha e as miragens do texto, Revista de Cultura, Macau, 4, n°s. 11/12, (jul.-dez. 1990), 137-142.
    • Seixo, Maria Alzira (1990) O Pensamento da Morte na Poesia de Camilo Pessanha, Análise, 3.
    • Simões, João Gaspar (1976) biografia - Tenho!
    • Simões, João Gaspar (1976) Perspectiva histórica da poesia portuguesa: dos Simbolistas aos Novíssimos. Porto: Brasília.

    T

    • Teixeira, Padre Manuel (1997) Toponímia de Macau: Ruas com Nomes Genéricos, vol. I, Macau.







    Redação: 17.10.2026, atualização 1.11.2026

    18/02/2023

    O poeta Rui Rocha e a tautologia essencial do ser
















    Rui Rocha
    Professor, escritor, poeta.



    Rui Manuel de Sousa Rocha, descendente de famílias macaenses, nasceu em Lisboa em 1948 e mudou-se para Macau em 1983, onde reside até hoje.

    É formado nas áreas da Sociologia, Antropologia e Educação Intercultural.

    Veio para Macau, em 1983, para participar na criação do Serviço de Administração e Função Pública. Pertenceu ao Grupo de Ligação Conjunto Sino-Português (1990 a 1994), na área da Localização dos Quadros e na Promoção do Putonghua [mandarim]. Foi diretor do Gabinete do Ensino Superior (1994-1998), da Fundação Oriente (2000-2009), do IPOR (2009-2012,) e, finalmente, diretor do Departamento de Língua Portuguesa e Cultura dos Países de Língua Portuguesa, o qual criou, na Universidade da Cidade de Macau (2012-2017). Atualmente, Rui Rocha é presidente do Centro de Estudos e Inovação sobre Economia Azul na Região da Grande Baía.

    Para além de dirigente das referidas instituições públicas e privadas de Macau e docente no ensino superior, Rui Rocha tem obra publicada em vários áreas do saber, incluindo história e cultura da Ásia, com incidência nas culturas chinesa e japonesa. Nesse sentido, tem colaborado assiduamente na Revista Macau do Governo da RAEM e em língua portuguesa. Redigiu vários verbetes, entre eles "o Chá", para o DITEMA - Dicionário temático de Macau / Thematic Dictionary of Macau (Univ. de Macau, 2010).







    Por influência familiar, conviveu de perto com a cultura e a poesia chinesa e japonesa, e em 2012 tornou comum a sua própria poesia reunida no título A Oriente do Silêncio: poemas (Lisboa: Esfera do Caos), a que se seguiu em 2016, Taotologias (Fafe: Labirinto).













    pensei nas palavras
    como poderia pensar
    num ato, num cheiro,
    qualquer pequeno prodígio
    que abrisse aquela porta
    inexplicável e indesejavelmente
    fechada da poesia

    A oriente do silêncio, 2012





    todo o lugar é um lugar vazio
    nem as árvores nem as pessoas
    farão menos vazios esses lugares

    o olhar de hoje será diferente
    do olhar de amanhã
    como dos dias que se seguem

    contudo tudo continuará vazio
    tão vazio como a morte de um deus
    que nunca existiu  
    Taotologias, 2016





    um velho ramo de árvore
    balança na brisa do rio
    a tarde esconde o canto das aves
    Taotologias, 2016





    nada digas do verão azedo
    gravado no coração da laranja
    as sobras da casca servem para doce

    Taotologias, 2016





    entre a espada e a cruz navegantes
    há um vermelho mar salgado
    que mastiga as torturadas palavras
    sangrando ainda nas costas do império
    as sombras negras, índias ou mestiças

    Taotologias, 2016



     

    no salgado aroma da tarde
    saúdo os teus olhos
    ante a solidão do mar
    a tela branca dos teus dedos
    enlaça as polifónicas palavras
    na memória lenta do crepúsculo
    Taotologias, 2016




    Leituras:


    Em Rui Rocha, neste seu livro de poemas encontro ambas as tradições, da meditação chinesa, ou dos Haikai do Japão. Ele escolhe Bashô, como mentor, eu lia Issa e outros. Meditava sobre a beleza dos caracteres, em livros de arte, em que também o poeta Henri Michaux se inspirou, em muitas das suas obras. O fascínio era o da imagem, pictórica, e da ideia ou conceito que em si mesma encerrava. O grande prazer (e a grande lição) que se retira da espiritualidade chinesa, neste caso, é o da relação com um cosmos que nos inclui, a partir de uma entrega feita de simplicidade e despojamento, perante os factos da vida: pessoal, social ou até mesmo política. Em todos eles a relação com o cosmos está presente. E o mistério, que é o caminho do TAO, reside apenas e só nesse entendimento, interior, profundo. 
    [...] Dado o tom, podemos continuar a leitura, que já sabemos terá de ser feita de meditação, e não apenas de folhear rápido das páginas. Retomam-se imagens como a da lua, e a noite irá encher-se de presenças, de ausências, de perfumes de criaturas amadas.
    Yvette Centeno, in Literatura e Arte



    “A poesia de Rui Rocha sugere, tal como acontece com a fluidez e plasticidade da caligrafia chinesa, a visibilidade dos sentidos do que se contempla mas não pode ser inteiramente expresso. 
    É um relato sensível do aqui e agora do lugar. 
    É essencialmente o estar que transcende a dimensão do texto, reservando um espaço para o silêncio entre as palavras, o tecido intersticial que afinal confere sentido ao próprio texto. 
    Desta obra emerge uma poética do branco, a cor do enigma, e da luminosidade personificada pela lua cheia tão ao gosto dos poetas da China e do Japão.”





    Para saber +


    [audio, 17:18], in Português, 11.12.2019.
    Acerca das suas raízes familiares, vinda para Macau, etc. - Excelente!


    in blogue Literatura e Arte, 27.11.2016.
    *
    MATEUS, Victor Oliveira - O Oriente e o Silêncio na Poesia de Rui Rocha, 
    in Revista de Cultura/Review of Culture, International Edition, Macau, n.º 44 , III série, 4.º Trimestre (2013), p. 58-63. 
    *
    in RCI, n.º 61 (2019), 137-145.
    *
    FARIA, Alexandre Graça & Beatriiz Pérez - Estratégias literárias em Rui Rocha,
    In Zi Yue, ano 2, vol. 2, n.º 1 (2022), p. 7-21





    詩歌






    05/09/2019

    A "Arte Poética" de Zetho Gonçalves, o escritor do mês de setembro no Camões - Centro Cultural Português em Luanda


    A quem possa interessar, aqui fica o texto que propositadamente escrevi para a sessão inaugural deste «O Escritor do Mês», no Instituto Camões/Centro Cultural de Luanda, que me é dedicado. Beijos e abraços.


    MUKANDA PARA O CAMÕES, EM LUANDA


    Minhas Amigas e meus Amigos,

    Tenho, ainda que à distância, acompanhado com o mais vivo interesse e permanente aplauso, o magnífico trabalho que a Dra. Teresa Mateus e a sua equipa têm levado a cabo neste Centro Cultural Português, na divulgação, na discussão e na promoção da poesia, da literatura e da cultura angolanas no seu sentido mais lato. É, deixem-me dizer-vos, um trabalho de paixão lúcida e inquestionável, e, por essa razão, um trabalho muito belo e perene.
    O meu muito, muito obrigado, Dra. Teresa Mateus, a si, pessoalmente, e a toda a sua equipa.
    Estou naturalmente feliz e comovido pela lembrança do meu nome para figurar hoje, aqui, como «o escritor do mês».
    Fisicamente, estou longe, muito longe. Mas em pensamento, estou inteiramente aqui com vocês, como que acabado de chegar do meu Cutato, lá no Cuando Cubango, onde está a origem de toda a minha poesia e de toda a literatura para a infância e juventude que me tem sido possível criar, e para quem endereço, com a vossa permissão, a minha permanente homenagem e a minha mais reconhecida e comovida Ternura.
    Cumprem-se, neste ano da graça de 2019, os meus quarenta anos de vida literária, com a publicação do primeiro livro, «Exercício de Escrita», em 1979. É um livro de maus poemas, como não poderia ser de outra maneira para quem não nasceu um «génio», sequer desses «génios» que vulgarmente se aplaudem ainda antes do primeiro vagido.
    São maus, repito, muito maus esses poemas. Mas foram os poemas que eu soube e pôde ter escrito, entre os 16 e 19 anos de idade. Nenhum deles se aproveita inteiro, se sustenta íntegro perante a exigência que as múltiplas leituras que vim fazendo e continuo a fazer me levam a impor-me a mim mesmo. Porque naqueles poemas, não era falta de «vida vivida» o que lhes tolhia a qualidade (eu já havia vivido, humanamente, experiências de limite, e não poucas), mas sim a falta de leituras, muitas, atentas e variadas, da Obra de outros, que me permitisse uma consciência mais sólida, um rigor e uma noção mais implacáveis do ofício tenebroso que é o «exercício» da «escrita» em Poema. 
    Perguntar-se-á: como nasce um poema? Não há receita nem alguma vez a escrita de um poema se assemelha à do poema seguinte ou à do poema anterior, desde o momento em que a ideia surge até à sua materialização escrita. É, digamos assim, um eterno recomeço, um eterno renascer e reaprender tudo de novo, como se fosse pela primeira vez.
    No meu caso pessoal, confesso-vos, sem nenhum pudor, nunca, até hoje, fui capaz de escrever um poema directamente no computador. Trabalho a cábulas ou apontamentos. Não saio à rua sem um papel no bolso. Aí anoto, a esferográfica ou caneta, quando surge, a hipótese de um verso, a matriz para um poema. Essas cábulas ou apontamentos avulsos vão-se acumulando nos bolsos, no meio dos livros que calhe andar a ler (onde por vezes ficam perdidos tempos e tempos), e, depois, uma pilha caótica de vários tamanhos sobre a mesa de trabalho. 
    O que parece um poema iminente começa a impor-se-me, torna-se uma obsessão. Quase não durmo. A cabeça não pára, porque é lá que tudo começa sendo escrito e tomando forma. Ou vai parar ao lixo, porque inconsistente, sem força nem sentido. Sem fulgor. E tantas vezes isso acontece! 
    Qualquer sítio me serve para trabalhar. Passo tudo a limpo para outra folha, tento alinhar e dar algum sentido a toda aquela papelada caótica e às caligrafias que nela se instalaram. Rasgo, deito fora. Recomeço. Corto palavras, viajo pelos dicionários, experimento outras palavras. Troco a ordem dos versos. Tento outro ritmo, outro cantar, outra metáfora. 
    Um poema leva-me meses, às vezes anos, até o dar por acabado. Porque escrever é sobretudo e acima de tudo re-escrever, cortar o que está a mais, numa busca obsessiva e constante da (im)possível perfeição. 
    E é tão breve a alegria da consumação de um poema!... Na verdade, ninguém imagina o preço de sangue que se tem que pagar por cada palavra escrita. Porque o poema não perdoa, ao contrário do que se possa pensar. E escrever, garanto-vos, é trabalhar duro, e bem duro, naquilo que parece ociosidade ou preguiça, e que nós em Angola chamamos mangonha. 
    E é este mesmo rigor sem contemplações, essa mesma mangonha criadora, que a mim mesmo me imponho na escrita da literatura para a infância e juventude, como, de resto, em qualquer palavra que assine.
    Não pensem, porém, que é fácil escrever para crianças ou jovens: é provavelmente muito mais difícil, se se quer fazer obra que encante esses seres ávidos de Vida, irrequietos e desconcertantes que são as crianças, na sua construção de si, e na descoberta das coisas maravilhadas do Mundo e dos mundos em que a si mesmos se vão descobrindo. Ninguém consegue ludibriar uma criança por muito tempo: as crianças têm intacto aquele dom da justiça justa e da Verdade inconteste que os adultos, de uma forma geral, já esqueceram ou perderam há muito, pelas contingências da própria Vida. E são donos e senhores de uma imaginação livre e poderosíssima, indagadora, em permanente questionamento de tudo, uma vez que para a criança, o absurdo e o real maravilhoso são as suas mais fiéis fontes de alimento especulativo de aprendizagem e de construção da sua personalidade e carácter. Nada há de mais sábio e desconcertante que a voz perguntadora de uma criança. 
    Resta-me acrescentar, que continuo a ser, do meu País, um exilado, exilado na minha própria língua. E agradecer a vossa presença, e desejar-vos uma sessão o mais prazerosa possível, pois que é para criar prazer, ainda que seja um prazer estético que possa inquietar e colocar questões, que eu escrevo. De resto, só posso conceber a Poesia como um acto de inquietante prazer, onde uma frágil raiz de sabedoria se insculpa na pele do leitor, que é, em última instância, o verdadeiro e derradeiro Autor, acrescentando ao poema o que ao poema falta: a sua legítima inteligência sensível.
    Muito, muito obrigado pelo vosso imenso carinho!


    ZETHO CUNHA GONÇALVES
    Lisboa, 1 de Setembro de 2019